Doze estados foram a tribunal travar a compra da Warner pela Paramount, e estão 110 mil milhões em jogo
Doze procuradores-gerais, com a Califórnia à frente, avançaram para bloquear a compra da Warner Bros. Discovery pela Paramount Skydance — um mês depois de o Departamento de Justiça já ter dito que sim.
Hollywood ia ter um estúdio a menos. Doze estados norte-americanos acabam de dizer que talvez não.
Uma coligação de procuradores-gerais — Califórnia, Arizona, Colorado, Connecticut, Massachusetts, Minnesota, Nevada, Nova Jérsia, Novo México, Nova Iorque, Oregon e Washington — apresentou uma ação para bloquear a compra da Warner Bros. Discovery pela Paramount Skydance, um negócio de 110 mil milhões de dólares. À frente vai Rob Bonta, procurador-geral da Califórnia, o que faz sentido: é lá que o cinema mora.
E o que é que os estados dizem, afinal?
Que o negócio esmaga a concorrência na indústria do cinema e acaba em salários mais baixos e menos oportunidades para quem trabalha nela. Do lado do consumidor, os estados dizem que a fusão faz subir o preço dos pacotes de cabo e dos bilhetes de cinema e reduz a oferta de notícias e entretenimento. A base legal é o Clayton Act, de 1914 — a lei antitrust que impede fusões capazes de minar a concorrência ou criar um monopólio. Um estúdio de 2026 travado por uma lei da era do cinema mudo tem a sua ironia.
A coligação pediu às duas empresas que não fechem o negócio até o processo judicial terminar e anunciou que vai avançar com uma providência cautelar. A Paramount respondeu que a ação reflete uma aplicação fundamentalmente errada das leis da concorrência e está errada nos factos e no direito.
Mas porque é que isto só acontece agora?
Porque o Departamento de Justiça deu luz verde ao negócio há um mês. É aí que a história fica interessante: o governo federal aprovou, os estados não aceitaram, e a batalha passou a ser entre Washington e as capitais estaduais. Bonta e companhia estão a usar a lei antitrust estadual para reabrir uma porta que a administração já tinha fechado.
Para quem vê daqui, isto não é uma briga corporativa distante. É a mesma consolidação que decide o que aparece no catálogo das plataformas que temos em casa — os estúdios que sobram são os que escolhem os filmes que se fazem, e é por isso que os detalhes de bilheteira de cada estreia contam cada vez mais.
Cento e dez mil milhões de dólares e um tribunal pelo meio. Vai demorar.
Por Lucy Bennett
Imagem: Douglas Despres, California Attorney General's Office / Wikimedia Commons (domínio público)