Sara Correia e a Tempestade que está a levar o fado ao mundo
Com um álbum escrito inteiramente por mulheres e uma agenda internacional cheia, a fadista tornou-se um dos rostos do fado que se ouve para lá de Portugal em 2026.
Enquanto as bilheteiras enchem com estreias de Hollywood, há um som muito nosso a ganhar terreno bem para lá das fronteiras. Sara Correia, uma das vozes mais faladas do novo fado, está a viver o ano que a coloca de vez no mapa internacional, e a chave chama-se Tempestade.
O álbum, lançado no início de 2026, tem uma particularidade que diz muito sobre o momento: as onze canções são escritas inteiramente por mulheres. Entre os nomes que assinam letras e temas estão Carolina Deslandes, Márcia, Mafalda Arnauth e Beatriz Pessoa, e há ainda poemas de Florbela Espanca e de Sophia de Mello Breyner Andresen. O single Canto, escrito por Carolina Deslandes, pega num assunto duro, a violência emocional, e transforma-o num gesto de resistência.
O fado que cabe no mundo
O que torna esta fase diferente não é só o disco, é o mapa. Sara Correia tem levado o fado a palcos internacionais, de festivais a salas de referência como o Barbican, em Londres, mostrando que o género aguenta bem a viagem sem perder a alma. Como a própria costuma dizer, o fado cabe em qualquer parte do mundo.
Para quem acompanha a música feita cá, é uma boa altura para reparar em como o fado se está a renovar sem se trair: a tradição continua lá, na guitarra portuguesa e na emoção crua, mas as histórias e as autoras são de agora. Se anda à procura de por onde entrar, Tempestade é um excelente ponto de partida.
Não é caso único num verão de boa música portuguesa e internacional. Veja também a nossa ronda pelos álbuns de julho e o regresso de Loreen com o disco Wildfire. O fado, recorde-se, é Património Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO desde 2011.
Por Lucy Bennett
Imagem: Paulae / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)