O Exército abre 2.007 vagas até ao fim do ano e a maior fatia é para praças em regime de contrato
O Exército Português prevê abrir 2.007 vagas no segundo semestre de 2026: 1.630 em voluntariado e contrato, 51 em contrato especial e 326 nos quadros permanentes. Quando abrem os concursos.
Candidatar / Saber maisQuem andou a pensar em vestir a farda tem aqui um número concreto: o Exército Português prevê abrir 2.007 vagas no segundo semestre de 2026, distribuídas por todos os regimes e categorias. E, ao contrário do que muita gente imagina, não é só para quem quer ficar a vida inteira.
A grande fatia — 1.630 vagas — é para os regimes de voluntariado e de contrato: 70 para oficiais, 120 para sargentos e 1.440 para praças. Os concursos abrem de forma faseada, com o grosso concentrado em setembro, outubro e novembro. Ou seja, quem quiser preparar candidatura tem o verão para pôr os papéis em ordem.
Quando abrem os concursos do Exército em 2026?
Depende do regime. O voluntariado e contrato incide sobretudo em setembro, outubro e novembro. No contrato especial estão previstas 51 vagas — sete para oficiais e 44 para sargentos — com procedimentos apontados a novembro e dezembro. E nos quadros permanentes há 326 vagas, sendo 88 para oficiais, 118 para sargentos e 120 para praças: as de praças estavam previstas para julho, as de oficiais e sargentos para setembro. As aberturas são publicadas em Diário da República e anunciadas no portal do Exército.
Uma ressalva que o próprio Exército faz e que convém levar a sério: estes são números de vagas planeadas, não de ingressos garantidos. Quantas se preenchem depende dos candidatos que aparecem, de quem cumpre os requisitos e de quem chega ao fim da seleção e da formação.
Porque é que o Exército está a recrutar tanto?
Porque precisa de crescer, e muito. Em junho o Exército tinha cerca de 13.350 pessoas entre militares e civis, e o plano estratégico Força Terrestre 2045 aponta para cerca de 22 mil militares e 3 mil civis. O Governo já deu cobertura financeira ao crescimento dos efetivos dos três ramos até perto dos 31 mil — uma subida de 25,6% — com 154 milhões de euros previstos entre 2026 e 2028.
Os sinais deste ano são melhores do que os anteriores. No primeiro semestre, 857 militares fizeram juramento de bandeira, contra 627 no mesmo período de 2025, uma subida de 36,7% transversal a oficiais, sargentos e praças. O tempo médio de permanência nos quadros permanentes também subiu, de 14 anos e dois meses em 2024 para 16 anos e nove meses em junho de 2026.
Há ainda o argumento menos falado e talvez o mais útil para quem tem 20 anos e não sabe o que fazer da vida: a formação. No primeiro semestre, 71 militares concluíram formação certificada de níveis IV e V do Quadro Nacional de Qualificações, e foram emitidos 1.902 certificados de formação profissional. São qualificações reconhecidas fora do quartel, o que faz do contrato uma porta e não um beco.
Se está à procura de trabalho com contrato à vista e formação incluída, isto entra na mesma lista onde entraram, este mês, as vagas de operador comercial da CP — com a diferença óbvia de que aqui o emprego vem com juramento.
Por Miguel Sarmento
Imagem: Allied Joint Force Command Brunssum / Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.0)