Pedro Proença marcou a reunião, mas nenhum árbitro apareceu — e entretanto saiu mais um áudio
Os áudios de Pedro Proença a criticar a arbitragem puseram o futebol português ao rubro. Os árbitros recusaram o encontro na Cidade do Futebol e o presidente da FPF fala em conversas distorcidas.
Foi o próprio Pedro Proença a pedir a reunião. Ligou à Associação Portuguesa de Árbitros de Futebol na noite de terça-feira, marcou para as dez da manhã seguinte, na Cidade do Futebol — e não apareceu um único árbitro. O encontro acabou por se fazer à mesma, por via digital, só com o presidente da associação, José Borges, e mais alguns dirigentes. Dos homens de preto, ninguém.
O que dizem os áudios de Pedro Proença?
Os excertos que circularam na internet apanham o atual presidente da Federação a falar sem papas na língua sobre o estado da arbitragem portuguesa. Diz que os árbitros são muito fracos e que, com sorte, se conseguem três ou quatro nomes minimamente competentes — cita Artur Soares Dias, João Pinheiro, Nuno Almeida e Luís Godinho. Há ainda passagens sobre José Fontelas Gomes e sobre idas à Polícia Judiciária por causa de processos que envolviam o Benfica.
As gravações são antigas: pertencem, segundo o próprio, às reuniões que teve com os clubes durante a campanha eleitoral para a presidência da FPF, há cerca de dois anos. Na quarta-feira apareceu mais um excerto, desta vez sobre a falta de renovação no setor — a ideia de que não há uma nova geração a chegar.
Porque é que os árbitros recusaram a reunião?
Porque a APAF já tinha condenado o conteúdo dos áudios e pedido esclarecimentos claros sobre o contexto e o motivo daquelas palavras, e porque, do lado de quem apita ao fim de semana, ouvir o presidente da própria federação chamar-lhes fracos não é coisa que se resolva numa reunião marcada de véspera. Ninguém se mostrou disponível para ir.
Proença respondeu publicamente que se trata de excertos de conversas privadas e informais, truncadas e descontextualizadas, e garantiu que vai acionar os meios legais ao seu dispor — as gravações, sublinha a Federação, foram obtidas de forma ilegal. A posição oficial vai sendo atualizada no site da FPF.
O timing não podia ser pior. A Liga arranca dentro de dias, depois de um verão de recordes no mercado de transferências, e a primeira grande discussão da época já não é sobre futebol jogado. É sobre quem manda na arbitragem, e sobre quem ainda confia em quem.
Por Vasco Almada
Imagem: Oleg Dubyna (doa.in.ua) / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)