Os Iron Maiden venderam metade do catálogo, e o Eddie foi junto no negócio
A Pophouse, do sueco Björn Ulvaeus dos ABBA, comprou 50% dos direitos de edição e gravação dos Iron Maiden — e também o nome, a imagem e o mascote Eddie.
Os Iron Maiden acabam de fazer o negócio que muita banda da idade deles já fez, mas com uma cláusula que ninguém tinha visto assim: venderam metade dos direitos, e o Eddie foi no pacote.
A compradora é a Pophouse Entertainment, a empresa sueca de investimento cofundada por Björn Ulvaeus, dos ABBA. Ficou com 50% dos direitos de edição e das gravações originais da banda, e ainda com os direitos de nome, imagem e semelhança — o que, no caso dos Maiden, inclui a criatura esquelética que anda na capa dos discos desde 1980 e que provavelmente é o mascote mais valioso da história do metal.
Quanto é que a Pophouse pagou pelos Iron Maiden?
Não se sabe, e é provável que não venha a saber-se: os termos não foram revelados. O que existe é uma referência útil — o negócio da mesma Pophouse com os KISS foi reportado acima dos 300 milhões de dólares, e cobria um perímetro parecido, com catálogo, nome, imagem e a parte dos artistas nas gravações e na edição. O acordo com os Maiden foi montado ao longo do último ano com Andy Taylor, co-manager da banda.
Se está a fazer a conta de cabeça, faça-a devagar. Os KISS têm um catálogo mais curto e mais reconhecível; os Maiden têm dezassete álbuns de estúdio e uma base de fãs que compra tudo. São perímetros diferentes, e o silêncio sobre o valor serve exatamente para não se fazerem estas comparações.
E agora, o que é que muda para quem gosta da banda?
Menos do que o alarme sugere. A Pophouse não compra catálogos para os pôr numa gaveta — compra-os para os explorar, e já disse ao que vem. Está a filmar a atual digressão Run for Your Lives para um projeto cinematográfico de grande escala, quer alargar as experiências interativas para fãs e quer construir um universo digital à volta do Eddie. Se isto lhe soa a ABBA Voyage com machados em vez de fatos brilhantes, é porque é mais ou menos essa a lógica.
O que não é claro é onde acaba a homenagem e começa a franquia. Vender o nome e a imagem é diferente de vender canções: as canções ficam como estão, a imagem pode ser posta a fazer coisas. É esse o negócio, e a banda entrou nele de olhos abertos.
Aqui por Portugal a digressão passou há poucos dias: os Maiden encheram o Estádio da Luz a 7 de julho, e quem lá esteve pode agora dizer que apanhou a banda na exata semana em que ela mudou de dono a meias. A digressão continua, e as datas estão no site oficial da banda.
Por Lucy Bennett
Imagem: Mike Lawrence / Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.0)