Luísa Cunha morreu aos 77 anos: a artista que fez Portugal parar para ouvir
Morreu Luísa Cunha, artista plástica e pioneira da arte sonora em Portugal, vencedora do Grande Prémio Fundação EDP Arte em 2021. Tinha 77 anos.
Luísa Cunha, uma das vozes mais singulares da arte contemporânea portuguesa — no sentido literal: a voz era muitas vezes a sua matéria-prima —, morreu esta segunda-feira em Lisboa, no Hospital de São José, vítima de doença oncológica. Tinha 77 anos.
Quem foi Luísa Cunha?
Foi a artista que provou que uma frase dita no sítio certo pode valer uma escultura. Formada no Ar.Co — Centro de Arte e Comunicação Visual, em Lisboa, onde também deu aulas nos anos 1990, Luísa Cunha construiu uma obra feita de som, palavra, fotografia, vídeo, desenho e escultura, quase sempre com uma economia de meios desarmante: instalações sonoras curtas, interjeições, indicações que apanhavam o visitante desprevenido e o obrigavam a escutar o espaço à sua volta.
O reconhecimento institucional demorou — a própria o admitia com ironia —, mas chegou em grande: em 2021 venceu o Grande Prémio Fundação EDP Arte, e em 2023 o MAAT, em Lisboa, dedicou-lhe a primeira grande retrospetiva, juntando todos os meios com que trabalhou ao longo de três décadas.
Que obra deixa?
Uma obra que se ouve tanto quanto se vê, espalhada por coleções públicas e privadas, e uma influência funda numa geração de artistas que aprendeu com ela que o humor e o rigor não são inimigos. Num meio que tantas vezes confunde tamanho com importância, Luísa Cunha fez o contrário: obras mínimas, ideias enormes.
A arte portuguesa perde uma figura maior; quem visitar as suas instalações continuará, ainda assim, a ouvi-la.
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Por Lucy Bennett
Imagem: Manuelvbotelho / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)