Vai a Bragança ver o eclipse? O centro de observação mudou para o aeródromo
O risco máximo de incêndio tirou as atividades oficiais de Rio de Onor e Guadramil. O programa mantém-se na íntegra no Aeródromo Municipal de Bragança, onde a ocultação do Sol chega aos 99%.
Se planeou a quarta-feira em Rio de Onor, altere o itinerário. A Câmara Municipal de Bragança retirou todas as atividades oficiais de observação do eclipse das aldeias de Rio de Onor e Guadramil, dentro do Parque Natural de Montesinho, e transferiu-as para o Aeródromo Municipal de Bragança.
A razão não é astronómica. É o fogo. As autoridades restringiram o acesso às zonas florestais do parque perante o risco elevado, uma decisão pesada pelo incêndio rural de Deilão, que deflagrou a 27 de julho numa área isolada de Montesinho perto do local previsto para a observação. Concentrar milhares de pessoas numa mancha florestal em risco máximo, com os meios de proteção civil imobilizados a fazer contenção de multidões, era pedir problemas.
O que se perde e o que se ganha
Perde-se a faixa de totalidade. Em Portugal continental, a totalidade limita-se à estrada N308, entre Rio de Onor e Guadramil, e dura 25,6 segundos, com início às 19h30m17s. No aeródromo, a ocultação do Sol fica nos 99%.
Ganha-se quase tudo o resto. O programa científico, educativo, cultural e expositivo previsto para Rio de Onor mantém-se na íntegra, agora no aeródromo. E há um detalhe que interessa mais do que aquele último 1%: ao pôr do sol, o Sol estará muito baixo a oeste, entre cerca de 3 e 12 graus acima do horizonte. Precisa de um horizonte oeste completamente desimpedido, e uma pista de aviação é exatamente isso. Uma aldeia encaixada num vale não é.
Horas e percentagens
O fenómeno começa às 18h33, atinge o máximo às 19h30 e termina às 20h23. No continente, a ocultação varia entre 99,9% em Bragança e 92,8% em Faro. Na Madeira chega aos 77,6% e nos Açores fica entre 72,5% e 77,6%.
Quem estiver em Lisboa tem uma alternativa nova: o terreiro do Farol do Cabo da Roca abre ao público na quarta-feira, anunciou a Parques de Sintra, depois de esgotarem os bilhetes para o Palácio Nacional da Pena.
Escrevemos antes sobre onde ver o eclipse em Portugal e as horas em cada região e sobre os óculos certos para observar sem danificar a vista — e este é o ponto onde não há margem para improviso: nunca olhe para o Sol sem filtro certificado, nem sequer nos 99%. A informação técnica do fenómeno está publicada pelo Planetário do Porto.
Por Leonor Sampaio
Imagem: El alistano / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)