Há sete estreias mundiais no cartaz do Semibreve, em Braga, de 22 a 25 de outubro
Fennesz toca com a Sinfonietta de Braga, Marta Salogni apresenta uma peça comissionada numa capela de seminário e o festival abre com um concerto-surpresa na Basílica dos Congregados. O programa dia a dia já está publicado.
Contam-se sete no cartaz, cada uma marcada com o asterisco que o festival reserva às estreias mundiais. O Semibreve volta a Braga de 22 a 25 de outubro e traz sete peças que nunca foram tocadas em lado nenhum — a lista completa está assinalada no alinhamento oficial, com os nomes de João Carlos Pinto, Malcolm Pardon e Gustaf Broms, Nuno Canavarro e Bruno Miguel Pinto, PYUR e Tarik Barri, Qasim Naqvi e Steven Wendt, Ricardo Jacinto e System Sophie.
A oitava peça inédita é de outra ordem. “a,drift”, de Marta Salogni, foi comissionada em conjunto pelo Semibreve, pelo Berlin Atonal e pelo Unsound, e toca no sábado, às 17h30, na Capela Imaculada do Seminário Menor.
Onde é que isto tudo acontece
Esta é metade da graça do festival. Braga não tem um recinto de festival e o Semibreve não finge que tem: espalha-se pelos edifícios que a cidade já tinha.
O arranque, na quinta-feira à noite, é um concerto-surpresa na Basílica dos Congregados, seguido de Suzan Peeters. Os grandes nomes da noite passam pelo Theatro Circo, e a madrugada muda-se para as duas salas do gnration. No domingo, Ricardo Jacinto toca no Salão Medieval da Reitoria da Universidade do Minho, à tarde, antes de o festival fechar com Fennesz e Oscar Jockel acompanhados pela Sinfonietta de Braga.
O resto do programa
Além dos concertos, o programa dia a dia inclui instalações no gnration e no Muzeu, conversas, cinema e duas masterclasses — uma de Marta Salogni sobre mistura e o uso da fita magnética, outra de Qasim Naqvi, no Conservatório Calouste Gulbenkian.
O festival faz isto desde 2011, o que já explica muita coisa sobre a fidelidade do público que lhe chega de fora. Se está a montar o outono à volta de festivais, vale a pena olhar também para a abertura do DocLisboa com Edgar Pêra e para a maneira como o Festival dos Canais espalhou arte gratuita por Aveiro, com a mesma lógica de usar a cidade como recinto.
Por Leonor Sampaio
Imagem: Joseolgon / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)