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Gráfico do saldo das contas do Estado no primeiro semestre de 2025 e 2026
Negócios 31 de julho de 2026

O Estado voltou ao défice até junho, e a culpa é sobretudo das dívidas do SNS

As contas públicas fecharam o primeiro semestre de 2026 com um défice de 213 milhões de euros, depois de um excedente de mais de dois mil milhões no ano passado.

As contas do Estado fecharam o primeiro semestre no vermelho: 212,6 milhões de euros de défice até junho. Não é um número que assuste sozinho, mas é uma inversão e tanto, porque no mesmo período do ano passado havia um excedente de mais de dois mil milhões. Entre um ponto e outro há uma diferença de 2.230 milhões de euros.

Porque é que o saldo virou?

Por causa de duas contas que o Estado decidiu pagar de uma vez. A primeira, e a maior, foi a liquidação de dívidas antigas do Serviço Nacional de Saúde aos fornecedores — hospitais que arrastavam faturas há anos e que finalmente as viram pagas. A segunda foram os apoios lançados depois das tempestades do inverno, que saíram todos do lado da despesa sem receita nova a compensar.

Tirando o esforço de acertar as contas com os fornecedores da saúde, o semestre teria fechado com um excedente na casa dos 1.100 milhões. Ou seja: o Estado não está a gastar descontroladamente, está a pagar o que devia. A diferença entre as duas leituras é o que vai dar pano para mangas nas próximas semanas.

E do lado da receita, como correu?

Bem, mas sem euforia. Os cofres receberam 29.089 milhões de euros em impostos no semestre, mais 1,9% do que no ano passado. É crescimento, só que suave — o suficiente para acompanhar a economia, não para tapar uma despesa extraordinária desta dimensão.

Há um pormenor que costuma passar ao lado e que vale a pena guardar: os pagamentos em atraso do Estado caíram para mínimos. Do ponto de vista de quem vende ao setor público, isso é a notícia da manhã, porque significa faturas liquidadas em vez de faturas prometidas.

Tudo isto chega numa altura em que o país já está a discutir o próximo Orçamento, e em que o PS já pôs em cima da mesa aquilo de que não abdica na negociação. Um semestre negativo dá argumentos aos dois lados: a quem defende contenção e a quem diz que o défice é apenas o preço de limpar dívida velha. Os números mensais de execução ficam sempre disponíveis no portal da Direção-Geral do Orçamento, para quem quiser ver a folha em bruto.

Em setembro, com o terceiro trimestre fechado, saberemos qual das duas leituras estava certa.

Por Beatriz Mota

Infografia: Tugadaily · dados Direção-Geral do Orçamento

Edifício da Caixa Geral de Depósitos no Porto, visto da rua
Negócios 31 de julho de 2026

A CGD vai vender o banco que tem no Brasil e ficar a olhar só para Portugal

O Conselho de Ministros escolheu a MD Capital como compradora da totalidade do Banco Caixa Geral - Brasil. A Caixa fica com foco no crédito à habitação e no financiamento às PME cá dentro.

A Caixa Geral de Depósitos está a fechar mais um capítulo da sua vida fora de portas. O Conselho de Ministros aprovou na quinta-feira uma resolução que escolhe a MD Capital como proponente vencedora para comprar a totalidade do capital do Banco Caixa Geral - Brasil. A MD Capital Ltda, seleccionada no âmbito do processo de alienação da participação que a Caixa detinha na operação brasileira. O comunicado do Governo não avança valores, e enquanto não houver…

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Gráfico de barras da inflação homóloga em julho de 2026: energia 8,7%, alimentares frescos 3,7%, total 3,0% e subjacente 2,6%
Negócios 31 de julho de 2026

A inflação abrandou para 3% em julho, mas a energia continua a subir 8,7%

A estimativa rápida do INE aponta uma inflação homóloga de 3,0% em julho, menos duas décimas do que em junho. A energia continua a ser o travão, e a inflação subjacente até subiu.

A inflação em Portugal abrandou para 3,0% em julho. É a estimativa rápida do INE, divulgada esta sexta-feira, e representa uma descida de duas décimas face aos 3,2% de junho. Antes de qualquer festejo, convém olhar para o que está por baixo do número. O índice de preços no consumidor subiu 3,0% em termos homólogos, ou seja, face a julho do ano passado. Comparado com o mês anterior, os preços até desceram 0,5%, muito por conta dos saldos e da sazonalidade…

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Entrada da fábrica da BMW em Munique
Negócios 31 de julho de 2026

A BMW vai cortar até 8.000 empregos e ninguém na Alemanha ficou surpreendido

O programa de saídas voluntárias da BMW arranca em outubro e vai até ao fim de 2027. As fábricas ficam de fora, o corte é na administração, e a poupança prevista é de mil milhões por ano.

A BMW confirmou um programa de saídas voluntárias que pode levar até 8.000 pessoas a sair da empresa, negociado com os representantes dos trabalhadores. Arranca em outubro e prolonga-se até ao final de 2027. Não há despedimentos obrigatórios e as fábricas ficam praticamente intocadas: o corte concentra-se na administração e nas áreas de desenvolvimento. Porque as contas do futuro não batem certo. A marca conta poupar cerca de mil milhões de euros por ano…

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Sede da EDP em Lisboa, com a estrutura de lâminas verticais da fachada
Negócios 30 de julho de 2026

A EDP lucrou 732 milhões no primeiro semestre e foram as renováveis e as redes a puxar

A EDP fechou o primeiro semestre de 2026 com 732 milhões de euros de lucro, mais 3% do que há um ano, com o EBITDA recorrente a subir 5% para 2,73 mil milhões.

732 milhões de euros, uma subida de 3% face ao mesmo período do ano passado. O EBITDA recorrente, que é a métrica que os analistas olham primeiro porque limpa o ruído das operações pontuais, cresceu 5% para 2,73 mil milhões de euros. Não é um semestre espetacular, mas é um semestre com a direção certa, o que num ano em que a eletricidade andou barata já vale bastante. Porque a empresa vive cada vez menos de vender eletricidade e cada vez mais de…

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Arco da Rua Augusta, na Baixa de Lisboa, iluminado ao fim do dia
Negócios 30 de julho de 2026

A economia portuguesa terá voltado a crescer no segundo trimestre, depois de um arranque de ano parado

O barómetro CIP/ISEG aponta para um crescimento de 0,4% em cadeia no segundo trimestre de 2026, cerca de 2% em termos homólogos, com a confiança empresarial a melhorar.

A economia portuguesa deverá ter crescido 0,4% no segundo trimestre face aos três meses anteriores, cerca de 2% em termos homólogos. É a estimativa do barómetro conjunto da CIP e do ISEG, divulgada esta semana, e chega antes do número oficial do INE — mas dá o tom. Falamos de 0,4% em cadeia, o que soa modesto até se lembrar de onde vem. O primeiro trimestre do ano ficou em zero — crescimento nenhum de janeiro a março, apesar de uma variação homóloga de…

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Barras de ouro
Negócios 30 de julho de 2026

Mercados em acompanhamento: ouro, Fed, petróleo e bolsas

O nosso acompanhamento contínuo dos mercados que mexem com as poupanças em Portugal — ouro, decisões da Fed e do BCE, petróleo e bolsas. Atualizado a cada novidade.

Este é o nosso acompanhamento contínuo dos mercados que mexem com as poupanças em Portugal. Em vez de um artigo novo por cada oscilação, atualizamos esta página sempre que há algo que interessa: ouro, decisões da Reserva Federal e do Banco Central Europeu, petróleo e as principais bolsas. Para o contexto de fundo sobre a economia portuguesa, veja o nosso balanço de meio de ano. Os dados oficiais estão no Banco de Portugal.

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Um Airbus A321neo da TAP Air Portugal em aproximação final, com trem de aterragem em baixo
Negócios 29 de julho de 2026

A TAP recebe hoje as propostas finais e só a Air France-KLM e a Lufthansa estão na corrida

Termina a 29 de julho o prazo para as propostas vinculativas pela privatização de 49,9% da TAP. Ficam dois candidatos, a Parpública analisa em agosto e a decisão do Governo chega no início de setembro.

Hoje é o dia em que a privatização da TAP deixa de ser conversa e passa a ser papel assinado. Termina esta quarta-feira o prazo para a entrega das propostas vinculativas pelos 49,9% do capital que o Estado decidiu vender, e só sobraram dois nomes em cima da mesa: a Air France-KLM e a Lufthansa. Vinculativa quer dizer exatamente o que parece. Já não são intenções nem cenários — é um preço e um compromisso a que o candidato fica preso. Não é hoje. Entregues…

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Vista panorâmica do Parque das Nações, em Lisboa
Negócios 28 de julho de 2026

A economia portuguesa abranda este ano e 2027 quase não a levanta, avisa o Fórum para a Competitividade

O Fórum para a Competitividade prevê um crescimento de 1,7% a 1,9% em 2026 e de 1,8% a 2% em 2027, e aponta o dedo às fragilidades estruturais da economia portuguesa.

A economia portuguesa vai crescer este ano menos do que cresceu no ano passado, e o ano seguinte também não traz nenhuma reviravolta. É esse o retrato do Fórum para a Competitividade, e o incómodo não está no número deste ano, está no do próximo. Entre 1,7% e 1,9%, depois de 1,9% em 2025. Uma travagem modesta, portanto. O problema é 2027: a previsão aponta para 1,8% a 2%, ou seja, praticamente o mesmo. Ou seja, isto não é um solavanco de um ano com…

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Logótipo da Galp
Negócios 28 de julho de 2026

A Galp lucrou 812 milhões até junho e ainda vai aumentar o dividendo

O lucro da Galp subiu 44% para 812 milhões de euros no primeiro semestre de 2026, com mais produção no Brasil e um Brent 28% mais caro. O dividendo sobe para 70 cêntimos.

Há semestres em que uma empresa trabalha muito e ganha pouco. Este não foi um desses para a Galp. 812 milhões de euros, mais 44% do que no mesmo período do ano passado. A explicação tem duas pernas. A primeira é a produção no Brasil, que cresceu 17%. A segunda é o preço: o Brent valorizou 28% num semestre em que o conflito no Médio Oriente não deu tréguas ao mercado, o mesmo movimento que empurrou o barril acima dos 100 dólares e encareceu a gasolina cá…

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Sede do Banco Central Europeu em Frankfurt ao amanhecer, com o rio Meno e a linha do horizonte da cidade
Negócios 26 de julho de 2026

As notas de euro vão mudar e o BCE quer ouvir-te antes de escolher o desenho

O BCE revelou os 12 desenhos pré-selecionados para as novas notas de euro, com dois temas em disputa. O inquérito público está aberto até 21 de setembro e a decisão final chega até ao fim de 2026.

As notas que tens na carteira vão ser substituídas, e pela primeira vez desde 2002 o desenho muda mesmo. A 23 de julho, Christine Lagarde apresentou os 12 desenhos pré-selecionados para a próxima geração de notas de euro — dois por cada valor, dos 5 aos 200 — e abriu um inquérito público onde qualquer pessoa pode dizer de que lado está. Fica aberto até 21 de setembro. De um lado está Cultura Europeia, que troca as pontes e janelas genéricas das notas…

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Gráfico de barras: rondas de mil milhões de dólares representam 60% do financiamento global de capital de risco em 2026
Negócios 25 de julho de 2026

Seis em cada dez euros de capital de risco foram parar a rondas gigantes este ano

Cerca de 60% do financiamento global a startups em 2026 foi para rondas de mil milhões de dólares ou mais, num total de cerca de 320 mil milhões. Explica muita coisa.

Cerca de 60% de todo o financiamento a startups no mundo este ano foi para rondas de mil milhões de dólares ou mais. Essas operações gigantes absorveram perto de 320 mil milhões de dólares. É essa a estatística que explica uma contradição que anda a irritar meio setor. Porque os totais mentem. O investimento em capital de risco pode parecer historicamente forte nos gráficos enquanto muitos fundadores em fase inicial descrevem um ambiente horrível para…

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Sede da Intel em Santa Clara, na Califórnia
Negócios 25 de julho de 2026

A Intel andava a perder a corrida da IA e afinal está a ganhar dinheiro com ela

A Intel apresentou resultados acima do esperado, subiu as previsões e aumentou o investimento de 18 para 20 mil milhões de dólares. Não vendeu uma GPU para isso.

Durante dois anos, a história contada sobre a Intel foi sempre a mesma: a empresa que chegou tarde à inteligência artificial e ficou a ver a Nvidia levar tudo. Os últimos resultados obrigam a corrigir pelo menos metade dessa frase. Resultados trimestrais acima do esperado, o crescimento de receita mais rápido dos últimos anos e uma previsão para o terceiro trimestre acima das estimativas de Wall Street. A empresa aumentou também o investimento previsto…

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Vista aérea de um centro de dados da Google em Council Bluffs, Iowa
Negócios 25 de julho de 2026

A Google gastou tanto em data centers que ficou sem dinheiro livre no trimestre

A Alphabet fechou o segundo trimestre com fluxo de caixa livre negativo em 5,9 mil milhões de dólares, depois de duplicar o investimento em infraestrutura. E ainda subiu a fasquia para o resto do ano.

A Alphabet teve um trimestre excelente e a bolsa castigou-a à mesma. As receitas subiram 24%, a nuvem cresceu 82% — números com que a maioria das empresas do mundo sonha — e mesmo assim as ações caíram. A culpa é de uma linha só: o investimento. Porque a empresa gastou mais em infraestrutura do que gerou a operar. No segundo trimestre, a compra de equipamento e instalações duplicou face ao ano anterior, para 44,9 mil milhões de dólares, contra 39,1 mil…

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Gráfico da percentagem de eletricidade renovável no consumo final: Áustria 90,8%, Suécia 89,2%, Dinamarca 77,7% e Portugal 65,6%
Negócios 25 de julho de 2026

Portugal é o quarto país da UE com mais eletricidade renovável — e a Áustria ainda vai muito à frente

Portugal tem 65,6% de eletricidade renovável no consumo final, atrás de Áustria, Suécia e Dinamarca, segundo o Eurostat. O que isso significa para a fatura.

Portugal tem a quarta maior fatia de eletricidade renovável no consumo final de toda a União Europeia: 65,6%, segundo os dados divulgados pelo Eurostat. À frente ficam apenas a Áustria, com 90,8%, a Suécia, com 89,2%, e a Dinamarca, com 77,7%. Quer dizer que, de cada dez unidades de eletricidade consumidas no país, quase sete vieram do vento, da água, do sol ou de biomassa. É uma conta de consumo final, portanto já leva em linha de conta o que importamos…

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