O Carneiro já disse o que o PS não abdica no Orçamento de 2027 — pensões e Constituição à cabeça
José Luís Carneiro diz que está tudo em aberto na negociação do Orçamento do Estado para 2027, mas fixou três linhas vermelhas. Veja quais são.
Ainda falta muito para o Orçamento do Estado de 2027 chegar ao Parlamento, mas o líder do PS já pôs os cartões na mesa. José Luís Carneiro diz que continua “tudo em aberto” na negociação com o Governo e, ao mesmo tempo, deixou claro que há três coisas de que os socialistas não abrem mão.
O que é que o PS quer no Orçamento de 2027?
A primeira é a defesa dos valores constitucionais — e aqui Carneiro foi direto: qualquer tentativa de mexer nos limites materiais da revisão da Constituição é inegociável para o PS. A segunda é a segurança das pensões, um tema que o partido já tinha empurrado para o centro do debate quando juntou a Comissão Nacional para falar de custo de vida. A terceira é a continuidade dos investimentos apoiados por fundos europeus, num ano em que o PRR entra na reta final e há muito dinheiro por executar.
Traduzindo: o PS não está a dizer que chumba, nem está a dizer que viabiliza. Está a dizer o preço.
Isto quer dizer que o Orçamento passa?
Ainda não dá para saber, e quem garantir o contrário está a adivinhar. O que se sabe é que Carneiro admite voltar a sentar-se com o primeiro-ministro para discutir o Orçamento e outras matérias estratégicas, o que é, por si só, um sinal de que a porta não está fechada. Do outro lado, o Governo tem contas apertadas: o compromisso com a NATO obriga a subir a despesa em defesa e as próprias Finanças já admitiram que a conta pode acabar nos impostos das famílias.
É esse o nó do próximo outono. O Executivo precisa de espaço orçamental para defesa sem tocar em pensões; o PS quer garantias escritas sobre pensões antes de deixar passar o que quer que seja. Entre uma coisa e outra há muitas reuniões pela frente, e o calendário aperta a partir de outubro, quando a proposta tem de estar entregue.
Para acompanhar as datas e as regras do processo, o portal do Orçamento do Estado é a fonte oficial, e os debates ficam registados no site da Assembleia da República.
Imagem: Governo do Rio Grande do Sul / Wikimedia Commons (CC BY 3.0)