Os estrangeiros dormiram menos noites em Portugal em junho. Foi a primeira quebra em oito meses
As dormidas de não residentes caíram 0,6% em junho, segundo as estimativas rápidas do INE, e só o mercado interno segurou o total. As receitas subiram 4,7%, para 786,6 milhões de euros.
Durante oito meses seguidos, a resposta foi sempre a mesma: mais turistas estrangeiros, mais noites, mais dinheiro. Em junho, uma das três partes deixou de crescer. As dormidas de não residentes caíram 0,6% face a junho de 2025, segundo as estimativas rápidas do INE, e puseram fim a uma série que começara em outubro.
Não é um colapso. Foram 5,7 milhões de noites de estrangeiros num total de 8,1 milhões, e o total até subiu 0,7%, porque o mercado interno cresceu 3,8% e segurou sozinho a conta. Os hotéis, alojamentos locais e parques receberam 3,1 milhões de hóspedes, mais 1% do que há um ano.
Menos noites, mais receita
O que continua a subir é o dinheiro. As receitas totais chegaram aos 786,6 milhões de euros, mais 4,7% em termos homólogos, e os proveitos de aposento aos 609,3 milhões, mais 4,5%. O preço médio por quarto ocupado subiu para 140,8 euros. Lido ao contrário, isto quer dizer que a factura por cabeça engordou enquanto o número de cabeças ficou parado. É precisamente o desenho que o Ministério da Economia tem defendido em público, e junho é o primeiro mês em que ele aparece nos números sem ambiguidade.
A ocupação, essa, aliviou. A taxa líquida de ocupação-cama desceu 1,4 pontos, para 53,6%, e a estada média encolheu para 2,58 noites. A Madeira e o Algarve continuam a ser onde as pessoas ficam mais tempo, com 4,37 e 3,90 noites respectivamente.
Quem veio e quem faltou
Os dez principais mercados valeram 76,9% das dormidas de estrangeiros. O Reino Unido manteve-se à frente com 20,8%, seguido dos Estados Unidos com 11,5% e da Alemanha com 10,9% — este último apesar de uma queda homóloga de 4,9%. O maior recuo foi francês, com menos 7,9%. O único mercado a crescer com algum peso foi o canadiano, com mais 4%.
Por regiões, o Norte puxou o total para cima com mais 4,8% de dormidas, à frente da Grande Lisboa e do Alentejo. No lado oposto ficaram o Oeste e Vale do Tejo, com menos 6,6%, e a Madeira, com menos 3,3%. No mercado externo, só os Açores, o Norte e a Grande Lisboa escaparam ao sinal negativo.
Um mês não faz tendência, sobretudo num sector que vinha de um primeiro semestre de recordes e num verão que ainda tem julho e agosto por contar. Mas vale a pena guardar a data, porque é a primeira vez desde o outono passado que o número mais importante do turismo português anda para trás. O destaque completo está no portal do INE.
Por Beatriz Mota
Gráfico: Tugadaily, com dados do INE