O turismo caminha para outro verão recorde — e agora o dinheiro conta mais que as camas
Portugal volta a bater recordes no turismo em 2026: mais de 5,8 milhões de hóspedes só no primeiro trimestre e proveitos a chegar aos mil milhões. E 62% dos especialistas esperam ainda mais receita neste verão.
O turismo português está outra vez a caminho de um verão de recordes — mas a história de 2026 já não é só sobre encher hotéis. É sobre quanto cada cama rende. E aí Portugal está a subir mais depressa do que no número de hóspedes.
Só no primeiro trimestre, o alojamento turístico recebeu 5,8 milhões de hóspedes e 13,6 milhões de dormidas, mais 1,5% e 1,3% do que no ano anterior. Parecem subidas modestas, mas os proveitos dispararam para perto dos mil milhões de euros no arranque do ano — sinal de que os preços, e não só a lotação, estão a puxar pela conta.
Quanto rende o turismo a Portugal?
Muito, e cada vez mais por hóspede. O crescimento das receitas está a ultrapassar o crescimento do número de visitantes, o chamado efeito preço: os turistas que chegam gastam mais por noite. Para uma economia em que o turismo pesa uma fatia enorme do PIB, é a métrica que interessa seguir.
O que esperam os hotéis para este verão?
Otimismo. Um barómetro do setor mostra que 62,2% dos especialistas contam com um crescimento das receitas vindas de turistas estrangeiros neste verão, com boas perspetivas para hóspedes, dormidas e ocupação. Os mercados internacionais continuam a ser o grande motor.
Nem tudo é linear: o custo de vida, os preços da habitação nas cidades e o debate sobre o alojamento local continuam a pressionar quem cá vive. Mas, em termos de contas do setor, 2026 promete somar-se à lista de anos recorde. Os dados oficiais atualizados estão no portal TravelBI do Turismo de Portugal. Para acompanhar como isto se cruza com juros e câmbios, veja o nosso acompanhamento dos mercados.
Por Beatriz Mota
Imagem: Glen Bowman from Newcastle, England / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)