O Algarve passou a ter patrulhas diárias no mar e em terra desde o que aconteceu em Ceuta
A Polícia Marítima e a Marinha reforçaram a vigilância da fronteira marítima algarvia com patrulhas diárias, depois da entrada em massa de migrantes em Ceuta. O que muda na costa.
A costa algarvia acordou no sábado com mais gente a olhar para o mar. A Polícia Marítima e a Marinha puseram patrulhas diárias a percorrer a fronteira marítima do Algarve, por água e por terra, e não é por acaso: é a resposta directa ao que se passou do outro lado do Estreito, em Ceuta.
O trabalho é feito em conjunto com a Unidade de Controlo Costeiro e de Fronteiras da GNR, e o objectivo declarado é identificar embarcações que possam estar ligadas a travessias irregulares ou a outro tipo de actividade ilícita. Traduzindo: quem aparecer a horas estranhas, sem rota que faça sentido, vai ter companhia.
Porque é que o Algarve reforçou a vigilância agora?
Porque Ceuta mudou a escala do problema numa questão de dias. O enclave espanhol viveu a maior entrada de sempre vinda de Marrocos, com as autoridades locais a falarem em cerca de 60 mil pessoas num intervalo curtíssimo — o mesmo episódio que já tinha levado Espanha a devolver quase toda a gente em poucas horas. Quando uma pressão daquele tamanho aparece a sul, o receio é que parte dela procure rotas alternativas pelo Atlântico. O Algarve é a porta mais próxima.
Vale a pena guardar a proporção: não houve, até agora, nenhuma chegada em massa a praias portuguesas. Isto é prevenção, não reacção a um desembarque.
O que é que as autoridades pedem a quem vive e passa férias na costa?
Que ligue. A Polícia Marítima e a Marinha apelaram à população para reportar movimentos suspeitos ao Centro de Coordenação de Busca e Salvamento Marítimo de Lisboa ou ao comando local da Polícia Marítima da zona. Um barco encostado a uma praia deserta de madrugada, pessoas a sair de uma embarcação fora de um porto, uma lancha sem matrícula visível — é esse tipo de coisa.
Em agosto, o Algarve tem mais olhos do que em qualquer outro mês do ano, e é precisamente isso que as autoridades querem aproveitar. O detalhe operacional está descrito na comunicação oficial da Marinha.
Para já, o que muda para quem estiver na praia é praticamente nada — talvez uma lancha cinzenta a passar mais vezes ao largo. É esse o plano: que se note pouco e chegue cedo.
Por Marta Carneiro
Imagem: Alan Wilson from Peterborough, Cambs, UK / Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.0)