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A vedação fronteiriça de Ceuta a entrar pelo mar, com casas na encosta do lado marroquino
Política 1 de agosto de 2026

Ceuta viveu a maior entrada de migrantes de sempre e Espanha já devolveu quase toda a gente

Dezenas de milhares de pessoas atravessaram para Ceuta esta semana, dezenas morreram no mar e o Governo espanhol diz que a maioria já foi devolvida a Marrocos. Um acórdão do Supremo está no centro de tudo.

Aconteceu a poucas centenas de quilómetros daqui e apanhou toda a gente desprevenida. Ao longo desta semana, dezenas de milhares de pessoas atravessaram de Marrocos para Ceuta, o enclave espanhol no norte de África, na maior entrada alguma vez registada naquela fronteira. Muitas foram a nado, contornando a vedação pelo mar. Dezenas não chegaram ao outro lado.

O que aconteceu em Ceuta?

O Governo espanhol contabiliza perto de 60 mil entradas ao longo de vários dias, um número que faz encolher tudo o que já tinha sido visto ali, incluindo a crise de 2021. A cidade tem pouco mais de 80 mil habitantes, o que dá a medida do que foi aterrar naquele espaço. O Ministério do Interior diz que a esmagadora maioria já regressou a Marrocos, ao abrigo de um entendimento entre os dois governos, e que o processo continuou durante o fim de semana.

Os números ainda estão a ser revistos de hora a hora e convém tratá-los como provisórios. O mesmo se aplica ao balanço humano: as autoridades espanholas confirmaram dezenas de mortos, com contagens que foram subindo à medida que os corpos foram sendo recuperados do mar. É a parte da história que não cabe em nenhuma estatística.

Porque é que um acórdão do Supremo entrou nesta história?

Porque foi ele que serviu de faísca, ainda que involuntariamente. No final de junho, o Supremo espanhol decidiu que quem chega a Ceuta ou a Melilha pelo mar não pode ser devolvido de forma sumária, porque não atravessou a infraestrutura física da fronteira a que a lei se refere. Traduzindo: nadar à volta da vedação não é o mesmo que saltá-la, e por isso essas pessoas têm direito a um procedimento formal.

O que Madrid diz é que essa decisão foi deturpada e distribuída em massa nas redes sociais como se fosse uma garantia de entrada. Pedro Sánchez falou numa violação da integridade territorial espanhola e apontou o dedo às redes de tráfico de pessoas, que terão vendido o acórdão como um bilhete. É um lembrete desconfortável de como uma sentença técnica, mal contada, pode mover dezenas de milhares de pessoas numa semana.

E isto tem alguma coisa a ver com Portugal?

Tem, por tabela. Ceuta é fronteira externa da União Europeia, e o que ali se decide vai influenciar o tom da discussão europeia sobre devoluções e controlo de fronteiras — a mesma discussão que já produziu a nova ordem europeia de regresso que reescreve as regras de expulsão no espaço Schengen e o sistema de entrada e saída que vai registar biometricamente quem cruza a fronteira externa. Uma semana como esta costuma acelerar tudo o que estava em cima da mesa.

Também vale a pena separar o que se passou de leituras apressadas. Não foi um fluxo migratório novo nem uma rota que se abriu: foi uma janela de dias em que uma informação errada correu mais depressa do que a verdade. As atualizações oficiais vão sendo publicadas pelo Ministério do Interior espanhol, e é por aí que se percebe o que é confirmado e o que ainda é ruído.

Por Tomás Vasconcelos

Imagem: Mario Sánchez Bueno from Ceuta, España / Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.0)

Luís Montenegro discursa num púlpito com as bandeiras de Portugal e da União Europeia
Política 2 de agosto de 2026

Portugal apoia o conselho de emergência da UE sobre Ceuta, e a reunião é já na terça

Luís Montenegro manifestou apoio à reunião extraordinária dos ministros da Administração Interna da UE sobre a crise migratória em Ceuta, marcada para terça-feira.

Portugal não vai ficar de fora da conversa. O primeiro-ministro deixou claro que o Governo apoia a realização da reunião de emergência dos ministros da Administração Interna da União Europeia sobre Ceuta, marcada para terça-feira, 4 de agosto, e que quer o assunto tratado ao nível dos Vinte e Sete e não caso a caso. A posição vale sobretudo pelo que implica. Uma reunião extraordinária de ministros do Interior não é rotina de agosto; convoca-se quando um…

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Edifícios destruídos e escombros numa rua da Faixa de Gaza
Política 2 de agosto de 2026

O Hamas aceitou entregar as armas e agora falta a parte difícil, que é acontecer

Trump anunciou um acordo do Board of Peace para desarmar o Hamas e passar Gaza a um governo técnico palestiniano. O roteiro tem de estar pronto em 14 dias.

Donald Trump apareceu na quinta-feira a anunciar aquilo a que chamou um acordo histórico: o Hamas e os restantes grupos armados de Gaza aceitam desarmar-se e entregar o controlo civil e de segurança do território a um novo governo tecnocrático palestiniano. O anúncio veio do Board of Peace, o órgão criado no âmbito do cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos, e chega meses depois desse cessar-fogo ter sido assinado. Segundo a administração…

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Fachada rosa do Palácio de Belém, residência oficial do Presidente da República, vista do jardim
Política 2 de agosto de 2026

O caso Luís Neves chegou a Belém e o Presidente quer conclusões rápidas

António José Seguro pediu conclusões rápidas no caso Luís Neves e apelou à preservação da dignidade das instituições, no mesmo fim de semana em que a conferência de líderes recusou ouvir o ministro da Administração Interna na Comissão Permanente.

O Presidente da República entrou no caso do ministro da Administração Interna da forma mais previsível e, ainda assim, mais significativa: pediu conclusões rápidas e apelou a que se preserve a dignidade das instituições. António José Seguro falava em Marvão, e foi a sua primeira reação pública às polémicas que envolvem Luís Neves — que dirigiu a Polícia Judiciária até fevereiro, quando passou para o Governo. A escolha das palavras diz muito — não tomou…

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Fachada envidraçada do edifício Berlaymont, sede da Comissão Europeia, em Bruxelas
Política 1 de agosto de 2026

Faltam 96 marcos do PRR para cumprir e o Governo tem até 31 de agosto para os fechar

Estão concluídos 283 dos 379 marcos e metas do PRR acordados com a Comissão Europeia. Faltam 96, e o prazo para os fechar e executar as subvenções termina a 31 de agosto.

Agora já há uma contabilidade concreta em cima da mesa. Dos 379 marcos e metas que Portugal acordou com a Comissão Europeia no Plano de Recuperação e Resiliência, 283 estão concluídos. Faltam 96, e o relógio pára a 31 de agosto. Noventa e seis marcos, na contabilidade apresentada pelo ministro da Economia e Coesão Territorial, Castro Almeida. É um número que parece grande a um mês do fim, mas boa parte corresponde a obras e reformas já em execução que só…

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Fachada do Palácio de São Bento, em Lisboa
Política 31 de julho de 2026

O relatório sobre a Segurança Social já está com o Governo, mas ninguém o vai ler já

O grupo de peritos entregou o estudo sobre a sustentabilidade da Segurança Social e das pensões. A divulgação, diz o Governo, fica para as próximas semanas.

O documento que vai mexer com as pensões de meia geração já está em cima da mesa do Governo. O relatório final do grupo de peritos sobre a sustentabilidade da Segurança Social foi entregue à ministra do Trabalho, e a resposta oficial sobre quando é que os portugueses o poderão ler foi, essencialmente, um encolher de ombros bem-educado: nas próximas semanas. O grupo, liderado pelo economista Jorge Bravo, foi encarregado de olhar para as peças mais…

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Fachada da Escola Secundária Francisco Franco, no Funchal, com carros estacionados em frente
Política 31 de julho de 2026

O concurso de professores vai mudar e passa a haver um que está sempre aberto

O Governo aprovou um novo modelo de recrutamento e colocação de docentes com dois concursos nacionais — um anual e outro contínuo — a entrar em vigor no ano letivo 2027/2028.

Quem já apanhou uma turma sem professor a meio de novembro sabe qual é o problema: o concurso resolve-se em julho e a escola parte-se em janeiro. O Conselho de Ministros aprovou na quinta-feira, na generalidade, um novo modelo de recrutamento e colocação de docentes que tenta atacar exatamente esse desencontro. Passa a haver dois concursos nacionais centralizados em vez de um. O anual continua a servir para preencher as necessidades permanentes das…

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Fachada do Tribunal da Relação de Coimbra com a inscrição Domus Iustitiae
Política 31 de julho de 2026

Pedir uma indemnização ao Estado vai deixar de obrigar a ir a tribunal

O Conselho de Ministros aprovou um procedimento administrativo para pedir indemnizações ao Estado e um regime rápido para acções administrativas até 15 mil euros, com meta de 18 meses.

Um buraco na estrada que rebenta uma jante, um licenciamento que ficou meses parado numa gaveta, um erro de um serviço público que custou dinheiro a alguém. Até hoje, quem quisesse ser ressarcido por isso tinha basicamente um caminho: contratar advogado e meter uma acção num tribunal administrativo. O Governo quer abrir uma porta muito mais barata. Directamente à entidade responsável. A proposta de lei aprovada em Conselho de Ministros cria um…

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Edifício escolar histórico em Alcântara, Lisboa, numa manhã de sol
Política 30 de julho de 2026

Os telemóveis vão estar proibidos até ao 9.º ano, e as escolas têm um período para se habituar

O Governo alarga a proibição dos telemóveis nas escolas a todos os alunos até ao 9.º ano, com entrada em vigor a 1 de janeiro de 2027. Quem abrange, que exceções ficam e o que dizem os diretores.

A regra já existia para os mais novos e agora sobe de escalão. O Governo decidiu alargar a proibição dos telemóveis nas escolas a todos os alunos até ao 9.º ano, através de uma alteração ao Estatuto do Aluno, e teve o cuidado de não atirar isto para cima das escolas de um dia para o outro. A 1 de janeiro de 2027. O primeiro período do próximo ano letivo funciona como rampa de acesso: serve para as escolas montarem o que for preciso, dos cacifos às regras…

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Sala do Conselho de Segurança das Nações Unidas, em Nova Iorque, vazia
Política 30 de julho de 2026

Guterres sai da ONU no fim do ano e já há sete pessoas a disputar a cadeira dele

O mandato de António Guterres na ONU acaba a 31 de dezembro de 2026. Quem são os candidatos a secretário-geral, como funciona a escolha e quando se conhece o nome.

A 31 de dezembro acaba a década de António Guterres à frente das Nações Unidas, e o sucessor entra ao serviço logo a 1 de janeiro de 2027. Para Portugal é o fim de um ciclo raro — não é todos os dias que um português ocupa o lugar mais visível da diplomacia mundial — e para a ONU é a decisão mais importante de um ano em que a organização já andava a levar pancada de todos os lados. A lista foi crescendo ao longo do ano e vai já em sete nomes. Estão na…

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André Ventura a discursar diante de microfones numa noite eleitoral
Política 29 de julho de 2026

O gabinete de André Ventura apareceu revirado na Assembleia e a Judiciária já lá esteve

O gabinete do líder do Chega no Parlamento foi encontrado remexido na manhã de 28 de julho. A porta não foi forçada, a PJ investiga e Ventura diz que desapareceram documentos sobre Luís Neves.

Quem entrou primeiro no gabinete foi uma empregada de limpeza, na manhã de terça-feira. Encontrou papéis pelo chão, gavetas remexidas e o espaço todo desfeito — e avisou logo a segurança. O gabinete é o de André Ventura, presidente do Chega, no Palácio de São Bento, e a partir daí a manhã no Parlamento deixou de ser normal. A segurança da Assembleia isolou a sala de imediato e comunicou o caso à Polícia Judiciária, que enviou uma equipa ao local,…

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Volodymyr Zelensky e Donald Trump numa reunião na Sala Oval
Política 28 de julho de 2026

O Trump recebe Zelensky e Netanyahu no mesmo dia, e as duas guerras chegam à Casa Branca ao mesmo tempo

Donald Trump tem esta terça-feira reuniões separadas com o presidente ucraniano e com o primeiro-ministro israelita. Na mesa estão o processo de paz na Ucrânia e a guerra com o Irão, em fases decisivas.

Volodymyr Zelensky de manhã, Benjamin Netanyahu logo a seguir. Donald Trump marcou as duas reuniões para o mesmo dia e, sem querer ou querendo muito, transformou esta terça-feira numa espécie de balanço das duas guerras que dominam a política externa americana. O processo de paz entre a Rússia e a Ucrânia. Um responsável da Casa Branca resumiu a posição americana numa frase curta — chegou a altura de acabar com a guerra — e o tom da relação mudou bastante…

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Edifício do Tribunal Penal Internacional, em Haia
Política 28 de julho de 2026

O Tribunal Penal Internacional afastou Karim Khan do cargo e nunca tinha feito isto a um procurador

Os Estados-parte do TPI votaram a destituição do procurador-chefe Karim Khan, depois de conclusões de má conduta grave que ele nega. É a primeira vez que o tribunal afasta quem lidera a acusação.

O Tribunal Penal Internacional passou 24 anos a julgar chefes de Estado e nunca tinha tido de resolver um problema dentro de portas desta dimensão. Resolveu-o com uma votação: Karim Khan deixou de ser procurador-chefe. A Assembleia dos Estados-parte, o órgão onde se sentam os 125 países que reconhecem o tribunal, concluiu que houve má conduta grave e violação grave de deveres, no seguimento de denúncias de assédio sexual apresentadas por uma funcionária…

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Edifício da Loja do Cidadão de Mafra
Política 28 de julho de 2026

A Prestação Social Única já tem regras à porta, e custa mais 30 milhões por ano ao Estado

O Governo aprova nos próximos dias o decreto-lei que fixa valores e condições da Prestação Social Única, o apoio que junta 13 prestações sociais numa só.

Falta pouco para se saber quanto se recebe e quem recebe. O Governo prepara-se para aprovar nos próximos dias o decreto-lei que fixa os valores e as condições de acesso da Prestação Social Única, e o Ministério do Trabalho já adiantou a fatura: mais 30 milhões de euros por ano em proteção social. É a tentativa de arrumar a casa. Em vez de treze prestações do subsistema de solidariedade da Segurança Social — o Rendimento Social de Inserção incluído — passa…

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A sede da Polícia Judiciária em Lisboa, a instituição que Luís Neves dirigiu antes de ser ministro
Política 26 de julho de 2026

Luís Neves vai ter uma comissão de inquérito aos seus anos na PJ, e responde que ainda bem

O Chega força uma comissão parlamentar de inquérito aos mandatos de Luís Neves como diretor nacional da Polícia Judiciária, agendada para setembro. A IL quer o ministro na Comissão Permanente antes disso.

O caso das obras do ministro da Administração Interna acaba de mudar de escala. Já não é só uma discussão sobre faturas e um atrelado: André Ventura anunciou na sexta-feira que o Chega avança com uma comissão parlamentar de inquérito aos mandatos de Luís Neves à frente da Polícia Judiciária. E o ministro, que tem passado semanas a dizer que está tranquilo, respondeu com duas palavras: ainda bem. É a ferramenta mais pesada que o Parlamento tem para…

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