O voo turístico das Linhas de Nazca caiu e morreram as 13 pessoas que iam a bordo
Um Cessna que sobrevoava as Linhas de Nazca, no Peru, caiu no sábado perto de Socos. Morreram os 11 turistas estrangeiros e os dois tripulantes.
Toda a gente que já ouviu falar das Linhas de Nazca imagina a mesma coisa: um aviãozinho a dar voltas no céu para se conseguir ver, lá em baixo, o macaco, o colibri e o astronauta desenhados no deserto há dois mil anos. É a única forma decente de olhar para eles. E foi exatamente esse voo que acabou em tragédia no sábado.
O aparelho era um Cessna Caravan C-208 da companhia peruana Aerodiana. Descolou de Pisco por volta das 12h10 locais com 13 pessoas a bordo — 11 turistas estrangeiros e dois tripulantes. Cerca de uma hora depois, já perto da povoação de Socos, a tripulação comunicou uma emergência à torre de Nazca. A seguir, silêncio. O avião caiu em Pueblo Viejo, a uns seis quilómetros da cidade de Nazca, e incendiou-se. Não houve sobreviventes.
Quem ia no avião das Linhas de Nazca?
Os passageiros eram todos europeus: sete italianos, dois alemães e dois espanhóis, mais os dois tripulantes peruanos. As autoridades peruanas ainda não fecharam o processo de identificação formal e o Governo abriu uma investigação às causas, que continuam por apurar.
Há um detalhe que vai pesar nessa investigação. Na sexta-feira, os voos panorâmicos a partir do aeródromo de Nazca já tinham sido suspensos temporariamente porque o vento passava dos 40 quilómetros por hora. No sábado voltaram a descolar. Se as condições eram ou não seguras é precisamente uma das perguntas em cima da mesa.
Porque é que estes voos existem?
As Linhas de Nazca são Património Mundial da UNESCO desde 1994 e estendem-se por centenas de quilómetros quadrados de planalto árido. Os geoglifos só ganham forma vistos de cima, o que transformou os voos turísticos numa indústria local inteira — pequenos aviões, meia hora no ar, dezenas de operadores. E também num historial de acidentes: já em 2022 um voo semelhante tinha matado sete pessoas na mesma zona.
Para quem estiver a planear viagem, a informação oficial sobre o sítio arqueológico está no portal da UNESCO dedicado às Linhas de Nazca. Não é um destino que se atravesse a pé.
Foi um fim de semana pesado noutros sítios também: em Moscovo, uma explosão num restaurante da praça Kudrinskaya fez três mortos na madrugada de domingo.
Por Marta Carneiro
Imagem: Diego Delso / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)