Vai de comboio para Lisboa ou para o Porto? O passe de 20 euros chega na terceira semana de setembro
O Ministério das Infraestruturas fixou a entrada em vigor do Passe Ferroviário Verde nos comboios urbanos de Lisboa e do Porto para a terceira semana de setembro, e diz que o título será alargado à linha da Fertagus. O impacto orçamental estimado é de 1,5 milhões de euros por ano.
Já há data. O alargamento do Passe Ferroviário Verde aos comboios urbanos de Lisboa e do Porto arranca na terceira semana de setembro, segundo o comunicado enviado esta sexta-feira pelo Ministério das Infraestruturas e Habitação. E há uma novidade que não constava do anúncio feito há uma semana no Pontal: o título vai também abranger a linha da Fertagus.
O preço não muda. São 20 euros por 30 dias, válidos em toda a rede ferroviária nacional com exceção do Alfa Pendular e da primeira classe do Intercidades. O que muda é o alcance: até agora, os percursos cobertos pelo Navegante em Lisboa e pelo Andante no Porto ficavam de fora, o que obrigava muita gente a comprar dois passes para fazer o mesmo trajeto.
Quanto é que isso poupa, na prática
O ministério deu dois exemplos concretos, e vale a pena olhar para eles porque são o género de contas que quase ninguém faz.
Alguém que viva em Vila Nova de Famalicão, fora da Área Metropolitana do Porto, e trabalhe na Baixa portuense junto a São Bento paga hoje 60 euros por mês: 40 do Andante mais 20 do passe verde. Com a mudança, passa a poder ficar-se pelos 20 euros. São 480 euros por ano que deixam de sair de casa.
O segundo caso é de Monte Abraão, em Sintra, com destino a Entrecampos. Hoje a escolha é entre o Navegante, a 40 euros, ou o passe da CP, a 32,35. Em setembro entra na equação o passe verde a 20 euros, uma poupança de 240 euros ao ano.
O Governo estima o custo anual da medida em 1,5 milhões de euros, pagos em compensações à CP e à Fertagus. É uma fração do que custam outros apoios à mobilidade, e a tutela vende-a como uma razão a mais para deixar o carro em casa. A poupança para quem usa só o comboio ronda os 50 por cento.
O problema que ninguém resolveu ainda
Há um senão, e é grande. O comboio da ponte já circula sobrelotado nas horas de ponta, e um passe mais barato só pode aumentar a procura. A Comissão de Utentes da Fertagus queixou-se em março à Comissão Europeia das condições de transporte na travessia do Tejo. As carruagens novas que a operadora encomendou só devem entrar ao serviço no primeiro quadrimestre de 2027, um atraso que a tutela e a empresa atribuem à escassez de material circulante na Europa.
O comunicado também não diz quando é que o alargamento à Fertagus produz efeitos. Fica em aberto, tal como ficou em aberto o dia exato de setembro.
Este é o segundo passo do mês em transportes públicos. Escrevemos há dias sobre o anúncio inicial do alargamento aos urbanos e sobre a decisão de Viseu de tornar os transportes urbanos gratuitos a partir de setembro. Setembro promete ser um mês movimentado para quem anda de transportes.
Por Marta Carneiro
Imagem: Jcornelius / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)