Vai de comboio dentro da Grande Lisboa ou do Porto? O passe de 20 euros vai passar a servir
O passe ferroviário verde custa 20 euros por mês e até agora deixava de fora as linhas suburbanas das duas áreas metropolitanas. Montenegro anunciou o alargamento para setembro.
Há quase dois anos que existe um passe que permite andar de comboio de Bragança a Faro por 20 euros mensais, e há quase dois anos que ele tem um buraco no meio: as linhas suburbanas de Lisboa e do Porto, precisamente onde vive e trabalha metade do país. Esse buraco vai fechar-se. Luís Montenegro anunciou na sexta-feira, na Festa do Pontal, que o passe ferroviário verde passa a abranger os comboios urbanos das duas áreas metropolitanas, “provavelmente já em setembro”.
Nas palavras do primeiro-ministro: quem quiser andar de comboio dentro da área metropolitana de Lisboa e do Porto poderá também fazê-lo com 20 euros mensais.
O que o passe já dava, e o que faltava
O passe ferroviário verde entrou em vigor em outubro de 2024 e cobre toda a rede de comboios regionais e inter-regionais, mais os Intercidades mediante pré-reserva, além dos troços urbanos que não estivessem já integrados em títulos intermodais. Ficavam de fora duas coisas: o Alfa Pendular e, sobretudo, as linhas suburbanas da Grande Lisboa e da Área Metropolitana do Porto — as de Sintra, Azambuja, Cascais, Sado, Braga, Aveiro, Guimarães, Marco. As condições em vigor estão detalhadas na página oficial do passe, na CP.
Na prática, isso significava que um passageiro de Coimbra podia atravessar o país inteiro com o passe mas não podia apanhar o urbano de Sintra à chegada. Quem vive fora dos grandes centros e se desloca lá para dentro fazia as contas duas vezes.
O que ainda não está fechado
Falta o essencial da letra pequena. Não há ainda a lista concreta das linhas abrangidas, não se sabe como se articula com os passes intermodais Navegante e Andante, e não foi publicada portaria ou diploma que fixe a data. Montenegro disse “provavelmente já em setembro”, o que é uma intenção anunciada num comício de rentrée, não um prazo legal.
Vale a pena esperar pela publicação oficial antes de cancelar o passe que já tem. A CP tem vendido mais de um milhão de passes verdes desde o arranque, e é aí que as regras finais aparecerão primeiro.
O anúncio foi um de vários feitos no Algarve nessa noite, ao lado de uma promessa de nova descida do IRS e de mais um suplemento para os pensionistas. Sobre o material circulante que falta à CP, já tínhamos contado o problema nas ligações Lisboa–Évora e nos regionais — e é esse constrangimento, mais do que o preço, que decide se um alargamento destes se sente na plataforma.
Por Marta Carneiro
Imagem: Nuno Morão / Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.0)