Os autocarros de Viseu ficam gratuitos a 1 de setembro (o passe custa 5 euros)
A gratuitidade abrange residentes com 24 anos ou mais nas redes MUV, STUV e Mobi Viseu Dão Lafões, dentro do concelho. Os passes começam a ser emitidos na segunda-feira e é preciso provar domicílio fiscal em Viseu.
A partir de 1 de setembro, quem mora no concelho de Viseu e tem 24 anos ou mais deixa de pagar bilhete nos autocarros da cidade. A medida foi anunciada esta quinta-feira pelo presidente da câmara, João Azevedo, e abrange três redes: a MUV, as linhas 22 e 23 do STUV e a Mobi Viseu Dão Lafões, esta última apenas em viagens dentro do concelho.
O corte de idade nos 24 anos não é arbitrário. Crianças e jovens até aos 23 anos já viajam de graça pelo regime nacional, tal como os antigos combatentes, e o município limitou-se a fechar o intervalo que faltava. O resultado é gratuitidade para praticamente toda a população residente.
A parte que convém ler com atenção é a do passe. Chama-se Passe Residente Viseu e não é automático. Os pedidos abrem na segunda-feira, dia 24, nos postos de venda dos operadores, e a emissão custa 5 euros. Quem nunca teve passe precisa de levar identificação e um comprovativo de domicílio fiscal no concelho: pode ser a certidão da Autoridade Tributária tirada no Portal das Finanças, o comprovativo eletrónico de morada do Cartão de Cidadão ou um atestado de residência da junta de freguesia, este último com o custo que a junta cobrar. Quem já tem passe só precisa de atualizar o perfil com um desses documentos.
Cinco euros por cada operador, para já
Há um detalhe que vai irritar alguns utentes. Um passe não serve para as duas redes. Andar de graça na MUV e na Mobi Viseu Dão Lafões obriga a levantar cartão nos dois sítios, cinco euros de cada vez, porque um título único ainda não foi criado. A câmara reconhece a lacuna sem prometer data.
O passe vale um ano e renova-se automaticamente todos os meses, sem obrigar a nova ida ao balcão. Ao fim desse ano é pedida nova prova de residência. Em cada viagem é obrigatório validar o passe no equipamento de bilhética dentro do autocarro, e o município justifica essa exigência com a necessidade de contar a utilização real para planear a oferta.
Terceiro concelho, primeiro fora das áreas metropolitanas
Azevedo apresentou a decisão como uma primeira: Viseu é, segundo o autarca, o primeiro concelho do país fora das grandes áreas metropolitanas a avançar com transporte público gratuito, depois de Cascais e do Porto. E aproveitou para atirar a bola ao Governo, defendendo que o Estado deve olhar para a gratuitidade como uma aposta na mobilidade e no orçamento das famílias, não como uma despesa de autarquia.
É um argumento que vai encontrar companhia. O passe ferroviário verde para os serviços urbanos de Lisboa e Porto, que entra em vigor em setembro, segue a mesma lógica de baixar a barreira do preço para tirar carros da estrada. A diferença é que em Viseu a conta fica inteira com o município.
Quem for à Feira de São Mateus este fim de semana ainda paga bilhete, note-se: a gratuitidade só arranca no dia 1. O nosso roteiro do fim de semana explica o resto do programa. Os termos completos da medida estão publicados na página da Câmara Municipal de Viseu.
Por Marta Carneiro
Imagem: Joehawkins / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)