O sismo de 7,1 no Japão fez cair um centro comercial em Kumamoto e as réplicas ainda não pararam
Um sismo de magnitude 7,1 abalou a província de Kumamoto, no sul do Japão, na tarde de 28 de julho. Houve um morto, dezenas de feridos, casas derrubadas e um alerta de tsunami que durou pouco.
Eram quase quatro da tarde no Japão quando o chão de Kumamoto começou a mexer a sério. Um sismo de magnitude 7,1, com epicentro a apenas dez quilómetros de profundidade, sacudiu a província no sudoeste do país e deixou um rasto que as autoridades ainda estão a contar: pelo menos uma pessoa morreu quando a casa lhe caiu em cima, cerca de meia centena ficou ferida e houve gente presa nos escombros de um centro comercial em Kumamoto.
Dez quilómetros é pouco. Num sismo, essa profundidade quase ridícula é a diferença entre um abanão que assusta e um abanão que parte coisas — a energia chega à superfície praticamente inteira, e foi isso que se sentiu.
Onde foi o sismo no Japão?
Na província de Kumamoto, na ilha de Kyushu, a mais a sul das quatro grandes ilhas japonesas. O abalo apanhou o final da tarde de terça-feira, hora local, e chegou a sete prefeituras com alertas de emergência. Mais de uma dúzia de casas ruíram, dezenas de milhares de habitações ficaram sem eletricidade e várias estradas ficaram danificadas — o suficiente para complicar a chegada das equipas de socorro às zonas mais rurais.
Houve alerta de tsunami?
Houve, e foi levantado pouco depois. A agência meteorológica japonesa emitiu o aviso nos minutos imediatos, com previsão de ondas até um metro na costa, mas cancelou-o assim que confirmou que o epicentro tinha sido em terra firme e não no mar. Quem quiser acompanhar os avisos em tempo real encontra-os no mapa oficial da agência meteorológica do Japão, que é atualizado ao minuto.
E as réplicas?
Passaram das sessenta nas horas seguintes, com magnitudes entre 1 e 4. É o padrão normal depois de um sismo desta dimensão, mas é também o que mantém as pessoas fora de casa: ninguém dorme descansado num edifício que já levou um abanão de 7,1 e continua a receber tremores. As autoridades pediram prudência para entrar em prédios com fissuras visíveis.
Kumamoto conhece bem este guião. Em 2016 a mesma província levou uma sequência de sismos que danificou o castelo, um dos mais visitados do país, e cuja recuperação se arrastou por anos. Foi um verão duro para os desastres naturais um pouco por todo o lado — a Europa passou dias a ver as chamas de Ávila levarem bombeiros portugueses para lá da fronteira — e o Japão acaba de somar o seu.
Por Marta Carneiro
Imagem: 663highland / Wikimedia Commons (CC BY 2.5)