Os incêndios de Ávila já levaram 128 operacionais portugueses — e o Exército juntou 500 rações
Portugal enviou este sábado uma força de 128 operacionais para combater os incêndios de Ávila, em Espanha, ao abrigo do protocolo de ajuda mútua entre os dois países.
A coluna saiu da Guarda às três da tarde deste sábado. São 128 operacionais portugueses a caminho da província espanhola de Ávila, onde os incêndios rurais andam há dias a fugir ao controlo das autoridades locais, e a viagem faz-se com o Exército a mandar 500 rações de combate atrás, para garantir que ninguém fica a olhar para o fogo de estômago vazio.
Quem é que Portugal mandou para os incêndios de Ávila?
Chama-se Força Operacional Conjunta e junta gente de várias casas: a estrutura de comando e a Força Especial de Proteção Civil da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, bombeiros da sub-região das Beiras e Serra da Estrela e a Unidade de Emergência de Proteção e Socorro da GNR. Quem manda no terreno é David Lobato, comandante sub-regional de Emergência e Proteção Civil do Médio Tejo.
A missão não é um gesto improvisado de boa vizinhança. Foi acionada ao abrigo do protocolo de ajuda mútua em matéria de proteção civil que Portugal e Espanha têm assinado há anos precisamente para dias como este, e cujas regras gerais estão explicadas no portal da Proteção Civil.
Porque é que Espanha precisou de pedir ajuda lá fora?
Porque a conta cresceu depressa. Entre a Comunidade de Madrid e Ávila, mais de 60 mil pessoas já foram retiradas de casa ou obrigadas a ficar confinadas, e as falhas de telecomunicações chegaram a afetar cerca de 40 municípios madrilenos. Somando o que arde do outro lado dos Pirenéus, em França, passam dos 200 mil os afetados pela vaga de fogos que atravessa a Península e o sudoeste europeu.
Espanha pediu reforço à União Europeia e a resposta veio de vários lados: além de Portugal, também a Croácia, a República Checa e a Eslováquia disponibilizaram meios aéreos. O Mecanismo Europeu de Proteção Civil existe exatamente para isto, e este verão tem andado ocupado.
Portugal já tinha mandado dois aviões ajudar a França esta semana, o que dá a medida do que está a acontecer: os países que costumam emprestar meios estão todos a precisar deles ao mesmo tempo. Em casa, o perigo de incêndio continua elevado em dezenas de concelhos, e a força que hoje partiu para Ávila é gente que, se o vento mudar de ideias, faz falta cá dentro.
Por Marta Carneiro
Imagem: Anual / Wikimedia Commons (CC BY 3.0)