Sismo de 5,5 ao largo da Sicília levou a alerta de tsunami. Foi um de 80 abalos num só dia
O sismo de magnitude 5,5 às 12h19 (hora de Itália) desta sexta-feira, no mar Tirreno perto de Alicudi, foi sentido de Palermo a Catânia e provocou um alerta de tsunami retirado cerca de uma hora depois. No catálogo do INGV contámos 80 abalos de magnitude 2 ou superior nessa zona durante o dia, contra 9 nos sete dias anteriores.
Um sismo de magnitude 5,5 abalou o mar Tirreno ao largo da Sicília às 12h19 desta sexta-feira, hora de Itália (11h19 em Lisboa). O epicentro ficou no mar, a noroeste das ilhas Eólias e perto de Alicudi, a cerca de 9 quilómetros de profundidade, segundo a ficha do evento no Instituto Nacional de Geofísica e Vulcanologia.
Foi sentido de Palermo a Catânia e nas ilhas Eólias. O Centro de Alerta de Tsunami do INGV emitiu um alerta logo a seguir, como manda o protocolo internacional, e retirou-o cerca de uma hora depois, sem que tivesse sido registada qualquer variação do nível do mar. Escolas e serviços foram evacuados por precaução. Até ao fim do dia não havia registo de feridos nem de danos.
Não foi um abalo isolado
O 5,5 foi o maior de uma sequência que vinha a crescer. Às 11h51 (hora italiana) tinha havido um de magnitude 4,8. Às 15h55 veio outro de 5,0, de novo sentido em Palermo e nas Eólias.
Fomos contar. No catálogo sísmico público do INGV, pesquisámos todos os abalos de magnitude 2 ou superior numa janela de mar à volta do epicentro (38,6 a 38,95 graus de latitude norte, 13,95 a 14,35 de longitude este) entre 16 e 23 de outubro, em hora UTC. Nos sete dias anteriores houve 9. Só na sexta-feira, até à hora a que fizemos a consulta, foram 80, e 22 deles tiveram magnitude 3 ou superior.
É esse salto, mais do que o 5,5 sozinho, que explica a apreensão na ilha. O diretor do departamento de sismos do INGV, Salvatore Stramondo, enquadrou o abalo das 12h19 numa sequência em curso, com pelo menos 60 sismos registados na última semana.
O que se segue
Ninguém sabe dizer como acaba uma sequência destas. Pode esmorecer em poucos dias ou trazer mais um abalo forte.
Não é o primeiro susto do ano no sul de Itália. Em agosto, um sismo de 4,7 nos Campos Flégreos foi o mais forte ali em 40 anos.
Por Marta Carneiro
Gráfico: Tugadaily, com dados do catálogo sísmico do INGV