Sismo de magnitude 7,7 ao largo da ilha das Flores faz pelo menos 51 mortos na Indonésia
O tremor atingiu a costa norte de Flores às 5h58 locais de sábado. Há mais de 1.300 casas danificadas, cerca de 5.000 desalojados e mais de 230 réplicas registadas no primeiro dia.
Um sismo de magnitude 7,7 atingiu a costa da ilha indonésia das Flores na madrugada de sábado e matou pelo menos 51 pessoas. O epicentro ficou a cerca de 68 quilómetros a norte-noroeste da cidade de Ende, na província de Nusa Tenggara Oriental, às 5h58 locais — dados que constam da ficha do evento no serviço geológico dos Estados Unidos.
O balanço subiu ao longo do fim de semana. Começou em dois mortos confirmados nas primeiras horas, passou por 38 e por 47, e chegou a 51 no domingo, à medida que as equipas conseguiram abrir estradas cortadas por deslizamentos de terra e alcançar aldeias que tinham ficado isoladas.
O que se sabe dos danos
Mais de 1.300 casas foram danificadas e cerca de 5.000 pessoas ficaram desalojadas. As autoridades contabilizaram 36 feridos graves e mais 77 com ferimentos ligeiros. No primeiro dia registaram-se mais de 230 réplicas na ilha, a maior delas de magnitude 6,2, o que obrigou a interromper várias vezes as buscas.
O terreno é o problema. Flores é montanhosa, as estradas são poucas e estreitas, e um sismo desta dimensão desencadeia deslizamentos que fecham precisamente as vias por onde as equipas de socorro teriam de passar. É por isso que as autoridades continuam a avisar que o número de mortos deve subir.
Um arquipélago onde isto se repete
A Indonésia assenta no Anel de Fogo do Pacífico, o arco de fossas e vulcões onde se concentra a maior parte da sismicidade mundial. O país tem por isso uma capacidade de resposta bem rodada, mas também uma geografia que a torna lenta: mais de 17 mil ilhas, muitas delas sem aeroporto e servidas por barco.
Para quem tem família ou viagens marcadas na região, o aviso prático é o de sempre — seguir as indicações da agência nacional de gestão de catástrofes e não confiar em números que circulem nas redes sociais antes de confirmação oficial. Escrevemos algo semelhante quando acompanhámos o balanço dos sismos na Venezuela e o rasto que deixaram na comunidade portuguesa: nas primeiras 48 horas, os totais mudam de hora a hora e quase sempre para pior.
Por Marta Carneiro
Imagem: Ewesewes / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)