A Universidade de Lisboa abre mais 1.018 camas e as colocações estão mesmo à porta
A ULisboa passa de 488 para 1.506 camas em residências no ano letivo 2026/2027, com 80 milhões investidos. As colocações do superior saem a 22 de agosto.
Há duas semanas de agosto que decidem o ano de milhares de famílias: aquelas em que sai a colocação no ensino superior e é preciso arranjar um sítio para o miúdo dormir em Lisboa. Este ano a conta muda um bocadinho, porque a Universidade de Lisboa vai ter mais 1.018 camas em residências já no ano letivo 2026/2027.
Somadas às 488 que entraram em funcionamento no ano passado, a ULisboa fica com 1.506 camas próprias. O investimento global anda acima dos 80 milhões de euros, dos quais 49,5 milhões vêm do Plano de Recuperação e Resiliência. É um dos maiores programas de residências universitárias alguma vez feitos no país.
Isto chega para os estudantes de Lisboa?
Sinceramente, não. A ULisboa junta 19 escolas e mais de 50 mil alunos. Mil e quinhentas camas para 50 mil estudantes dá uma taxa de cobertura de cerca de 3%, o que continua a deixar a esmagadora maioria dependente do mercado privado — o mesmo mercado onde o preço do quarto subiu cerca de 8% no espaço de um ano e onde a oferta de casas para arrendar caiu 22% no segundo trimestre.
O que 1.018 camas fazem é tirar mil e tal pessoas da fila do privado. Numa cidade com esta pressão, mil e tal pessoas não é nada e é muita coisa ao mesmo tempo.
Quando é que é preciso decidir?
Os resultados da primeira fase do concurso nacional de acesso saem a 22 de agosto e a matrícula tem uma janela de quatro dias. As candidaturas a alojamento nos serviços de ação social de cada instituição correm em paralelo e com regras próprias, por isso vale a pena tratar disso antes de saber a colocação, e não depois. A informação oficial sobre o concurso está no portal da Direção-Geral do Ensino Superior.
Para quem vai ter de ir ao mercado privado de qualquer forma, convém saber que as regras do crédito à habitação mudaram a 1 de agosto — não ajuda a arrendar um quarto, mas ajuda a perceber para onde vai o mercado onde os pais compram.
Imagem: Manuelvbotelho / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)