Morreu Ciara Mageean, a campeã europeia dos 1500 metros, aos 34 anos
A meio-fundista irlandesa morreu na manhã de 1 de novembro, 16 meses depois de revelar um cancro do intestino em estádio IV. Foi campeã europeia em Roma 2024, duas vezes olímpica e deixa quatro recordes nacionais.
Ciara Mageean morreu este domingo, 1 de novembro, aos 34 anos. A família confirmou a notícia num curto comunicado nas redes sociais da atleta, em que conta que ela partiu às 6h30 da manhã, rodeada das pessoas que amava. A federação irlandesa publicou pouco depois uma nota a lamentar a morte da campeã, lembrando a coragem e o calor humano que a tornaram uma figura tão querida.
Em julho de 2025, Mageean tinha tornado público que lutava contra um cancro do intestino em estádio IV. Escolheu falar abertamente da doença.
Uma carreira feita de pódios
Natural de Portaferry, no condado de Down, era a referência do meio-fundo irlandês da última década. O momento maior chegou em Roma, em 2024, quando ganhou o ouro dos 1500 metros nos Europeus de atletismo. Antes disso já tinha subido duas vezes ao pódio europeu na mesma distância: bronze em Amesterdão, em 2016, e prata em Munique, em 2022, o ano em que também foi prata nos Jogos da Commonwealth.
Foi duas vezes olímpica, no Rio 2016 e em Tóquio 2020. Paris 2024 devia ter sido a terceira, mas uma lesão no tendão de Aquiles tirou-a da prova na véspera da primeira eliminatória, poucas semanas depois do título europeu.
Deixa quatro recordes da Irlanda: 1:58.51 nos 800 metros, 2:31.06 nos 1000, 3:55.87 nos 1500 e 4:14.58 na milha. A milha, aliás, é a distância onde o britânico Josh Kerr bateu este ano um recorde mundial com 27 anos, uma lembrança de como o meio-fundo das ilhas britânicas e da Irlanda viveu uma geração de ouro, da qual Mageean fez parte.
O que fica
As homenagens chegaram depressa, de todo o atletismo irlandês, dos dois lados da fronteira que ela sempre representou como uma só equipa. Foi a primeira irlandesa a ganhar o título europeu dos 1500 metros ao ar livre, e fê-lo aos 32 anos, depois de quase uma década a bater à porta.
Por Vasco Almada
Imagem: Sandro Halank / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)