Pichardo saltou uma vez em Birmingham. Foi quanto bastou para a prata
Portugal fechou os Europeus de atletismo com três medalhas — a prata de Pedro Pichardo no triplo salto e os bronzes de Fatoumata Diallo e Patrícia Silva — e ainda bateu quatro recordes nacionais pelo caminho.
Pedro Pichardo entrou no concurso do triplo salto de Birmingham, aterrou aos 17,76 metros à primeira tentativa e, depois de mais dois ensaios sem melhorar, dispensou os saltos quatro, cinco e seis. Ficou a ver. Chegou para a prata.
O ouro foi do italiano Andy Díaz, com 17,76 batido por 39 centímetros — 18,15 metros, recorde de Itália e melhor marca mundial do ano. O pódio fechou com outro italiano, Andrea Dallavalle, aos 17,37. Para Pichardo, é a repetição exata do que fizera em Roma, em 2024, e a décima medalha da carreira em grandes campeonatos entre Jogos Olímpicos, Mundiais e Europeus, ar livre e pista coberta. Esse número coloca-o a par de Rui Silva como quarto português com mais medalhas em grandes campeonatos, segundo as contas da própria federação.
As outras duas subiram ao pódio a correr
Fatoumata Diallo abriu o medalheiro português com o bronze nos 400 metros barreiras, em 53,55 segundos, marca que é agora recorde de Portugal. Patrícia Silva fechou-o no domingo, também de bronze, nos 1.500 metros: 4.09,22 minutos, ganhos numa ponta final em que passou duas adversárias já dentro dos últimos metros. A britânica Georgia Hunter Bell venceu com 4.07,78, à frente da polaca Klaudia Kazimierska.
Três medalhas, três atletas, três provas completamente diferentes. É uma distribuição pouco habitual para uma delegação portuguesa em pista, historicamente concentrada no meio-fundo e nos saltos.
O que não coube no medalheiro
Aqui é que a semana fica interessante. Numa única manhã, a da quinta jornada, Portugal bateu quatro recordes nacionais — três absolutos e um de Sub-23 — e nenhum deles pertence a uma medalhada.
A estafeta feminina de 4x100 metros — Lorène Bazolo, Tatjana Pinto, Beatriz Castelhano e Arialis Martinez — correu em 43,06 segundos e apurou-se para a final com o sétimo melhor tempo, antes de falhar uma passagem de testemunho na decisão. Na marcha, Vitória Oliveira baixou o recorde nacional da meia-maratona para 1:36:10 e Joana Pontes o da maratona para 3:41:36. Eduardo Camarate estabeleceu o recorde nacional Sub-23 da meia-maratona marcha, com 1:30:12.
A isso junta-se Jéssica Barreira, décima segunda no heptatlo com 6.210 pontos — a melhor prestação de sempre de Portugal nas provas combinadas femininas, quatro lugares e 260 pontos acima do 16.º de Lecabela Quaresma em Berlim, em 2018. E Agate de Sousa ficou a dois centímetros do pódio no comprimento, com 6,96 metros.
Vale a pena olhar para isto ao lado do que aconteceu na piscina há duas semanas, quando Portugal chegou às sete medalhas de sempre nos Europeus de natação: dois desportos, o mesmo padrão de uma geração que já não vai a estes campeonatos só para participar.
Isaac Nader, campeão do mundo dos 1.500 metros em Tóquio no ano passado, foi a nota dissonante — chegou a correr à frente do pelotão na final e acabou em 12.º.
Por Vasco Almada
Imagem: Indigo Nolan / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)