A Liga BPI arranca com 236 jogadoras profissionais e um estreante chamado FC Porto
São 412 inscritas na prova, das quais 236 têm contrato de trabalho. O Sporting lidera em plantel profissional, o Benfica persegue o sétimo título seguido e o FC Porto entra pela primeira vez.
A Liga BPI 2026/27 arranca com dez clubes e um nome novo na lista: o FC Porto, que entra pela primeira vez na principal competição de futebol feminino em Portugal. O Benfica defende o título e vai atrás do sétimo consecutivo. Mas o número que melhor conta o estado da modalidade não está na classificação.
236 contratos em 412 inscrições
Dos 412 registos de jogadoras nesta edição, 236 são profissionais, com contrato de trabalho desportivo. As restantes 176 continuam amadoras. Ou seja, 57,2% das futebolistas da primeira divisão vivem do que fazem no relvado; as outras conciliam os treinos com um emprego, ou com o curso, ou com as duas coisas.
A Federação Portuguesa de Futebol tem vindo a injetar dinheiro na modalidade, cerca de 23 milhões de euros, e a contratualização é a consequência mais visível desse esforço. Cresce o número de praticantes, cresce o número de clubes, e cresce sobretudo a fatia de jogadoras a quem o futebol paga as contas.
Onde estão os profissionais
O Sporting é o clube com mais jogadoras contratadas: 34, a que se juntam 22 amadoras. O Benfica tem o plantel mais puro do ponto de vista laboral, com 29 profissionais e apenas 3 amadoras. O FC Porto, na estreia, chegou com 23 contratadas e outras tantas sem contrato, 22 ao certo.
A leitura é clara. Os clubes que investem em massa salarial não são necessariamente os que têm mais jogadoras inscritas, mas são os que apresentam plantéis onde quase toda a gente é profissional. Nos restantes sete clubes, o equilíbrio inverte-se, e é aí que se concentra a maioria das 176 amadoras.
O que isto muda em campo
Mais contratos significam mais horas de treino, mais acompanhamento clínico e menos jogadoras a chegar cansadas de um turno. Não garante resultados, mas altera o ponto de partida — e a Liga BPI tem passado os últimos anos a exportar esse efeito para as competições europeias, onde o Torreense já se atravessou no caminho da Juventus e as seleções jovens começaram a somar pontos em fases finais de Mundiais.
Falta o passo seguinte, que é o mais difícil de todos: público nas bancadas e um calendário televisivo que não obrigue quem quer ver a andar à procura. Por agora, fica o número com que a época começa. Duzentas e trinta e seis.
Por Vasco Almada
Gráfico: Tugadaily · dados da Federação Portuguesa de Futebol