Portugal tem sete medalhas em 38 Europeus de natação. Cinco chegaram desde 2022
Contámos edição a edição. A prata de Camila Rebelo em Paris é a sétima medalha portuguesa de sempre em campeonatos da Europa de piscina longa, e a folha oficial de tempos mostra que ela nadou os últimos 50 metros mais rápidos de toda a final.
Camila Rebelo saiu de Paris com a prata dos 200 costas e um recorde nacional de 2.07,62. Boa notícia por si só. O tamanho dela, porém, só aparece quando se contam as outras.
Foi o que fizemos. Pegámos nas 38 edições dos campeonatos da Europa de natação em piscina longa, desde a primeira, em 1926, e somámos as medalhas portuguesas edição a edição, contando apenas natação pura, sem águas abertas, saltos ou piscina curta. Dá sete. Sete medalhas em cem anos de campeonato.
As sete, por ordem de chegada
Sofia, 1985: Alexandre Yokochi, prata nos 200 bruços. A primeira, e durante muito tempo a única.
Londres, 2016: Alexis Santos, bronze nos 200 estilos, 31 anos depois de Yokochi.
Roma, 2022: dois bronzes na mesma semana, o de Diogo Ribeiro nos 50 mariposa, com 17 anos feitos, e o de Gabriel Lopes nos 200 estilos.
Belgrado, 2024: Camila Rebelo ganha os 200 costas e torna-se a primeira portuguesa campeã da Europa em piscina longa. Francisca Martins junta o bronze dos 400 livres.
Paris, 2026: Camila Rebelo, prata nos 200 costas.
Um ouro, duas pratas, quatro bronzes. A conta bate certo com a forma como a medalha de Paris foi descrita na altura, a sétima de sempre e a segunda prata, o que serve de segunda verificação a um apuramento que fizemos à mão.
O que aconteceu a partir de 2022
Cinco das sete medalhas caberam nas últimas três edições. Em quatro anos, portanto, a natação portuguesa ganhou mais do que nos 96 anteriores, e fê-lo com nomes diferentes em provas diferentes, o que é o oposto de sorte pontual. Rebelo sozinha tem duas das sete.
Vale a pena guardar essa proporção quando alguém disser que Portugal subiu ao pódio outra vez. Subir ao pódio continua a ser raríssimo. O que mudou é que deixou de ser irrepetível.
O detalhe que fica na folha de tempos
A folha oficial de resultados da Omega para a final dos 200 costas tem uma coluna que quase ninguém lê, a dos parciais de 50 em 50 metros, e é aí que a corrida de Rebelo fica interessante. Aos 50 metros era quarta. Passou para segunda aos 100 e aguentou o lugar até ao fim.
O último parcial dela foi de 31,77 segundos. Nenhuma das outras sete finalistas nadou os últimos 50 metros tão depressa, nem sequer Katie Shanahan, a britânica que ganhou com 2.06,13 e que fechou em 32,48. Rebelo perdeu a final na primeira metade, não na segunda.
Ficou a 1,54 segundos do recorde dos campeonatos, que pertence a Margherita Panziera desde Budapeste, em 2021. O bronze foi para a francesa Pauline Mahieu, em casa, com 2.08,63.
Foi uma boa semana para o desporto português em geral, entre a Volta a Portugal a atravessar o Douro e o Braga a saber que apanha o Áustria Viena no playoff da Liga Conferência. Mas em número de anos por medalha, nenhuma se compara a esta.
Por Vasco Almada
Infografia: Tugadaily · dados FPN e European Aquatics