O FC Porto vendeu metade do passe de Rodrigo Mora. O negócio pode não ficar por 27 milhões
São 25 milhões fixos mais 2 em variáveis pelos direitos de inscrição e por metade dos direitos económicos. A Roma tem opções sobre a outra metade, o FC Porto tem opção de venda no mesmo valor de referência, e há um encaixe mínimo de 50 milhões escrito no papel.
Rodrigo Mora é jogador da Roma desde esta quarta-feira de manhã. O FC Porto confirmou a saída pelas 09h30 e, ao contrário do que costuma acontecer nestes anúncios, detalhou a estrutura completa do negócio — que é onde está a parte interessante.
O clube cedeu a título definitivo os direitos de inscrição desportiva e 50% dos direitos económicos por 27 milhões de euros: 25 fixos e garantidos, mais dois de remuneração variável dependente de condições desportivas. Metade do passe, portanto. A outra metade continua a ser do FC Porto.
O que é que o FC Porto ficou a segurar
Três coisas, todas escritas no comunicado. A Roma tem opções para comprar até 50% dos direitos económicos por um total de 25 milhões. O FC Porto tem, em sentido contrário, uma opção de venda incondicional sobre a percentagem que mantiver, pelo mesmo valor de referência — o que na prática obriga a Roma a comprar o que os portistas decidirem vender. E se os italianos não avançarem para a totalidade, o FC Porto pode vender tudo e garantir um encaixe mínimo de 50 milhões, ou guardar uma fatia à espera de uma transferência maior lá mais para a frente.
É por isso que os 27 milhões do título não contam a história toda. Contam o primeiro cheque.
Há ainda dois números que raramente aparecem nestas notas e que o clube fez questão de incluir: não haverá qualquer dedução pelo mecanismo de solidariedade — Mora fez toda a formação no Dragão, logo não há terceiros a reclamar percentagem — e o FC Porto assume encargos de intermediação de 10% do valor da transação.
Quem sai do Dragão
Um médio de 19 anos que nunca vestiu outra camisola. Estreou-se como profissional em janeiro de 2023 pela equipa B, onde somou cinco golos e duas assistências em 34 jogos, e subiu à equipa principal em setembro do ano seguinte. Ficou-se por 80 jogos, 16 golos e seis assistências, com um título nacional e uma Supertaça Cândido de Oliveira no currículo.
Sai numa altura em que o FC Porto começou bem a época — foi o único dos três grandes a vencer na primeira jornada — e num verão em que o clube tem feito contas em voz alta. Vender metade de um jogador formado em casa, manter a outra metade e escrever um chão de 50 milhões no contrato é, seja qual for a opinião sobre a saída, um modelo de negócio bastante diferente de despachar o passe inteiro e acabar a conversa.
Falta saber o que Mora faz em Itália. A parte financeira, essa, já está desenhada até ao fim.
Por Vasco Almada
Imagem: FC Porto (sala de imprensa)