O Instituto Superior Técnico vai ter um centro de inteligência artificial de 6,9 milhões
O Governo autorizou o Técnico a gastar até 6,88 milhões de euros na obra do edifício do Jardim Sul, na Alameda, que vai acolher o Centro para a Inteligência Artificial e Economia Digital.
Portugal anda a discutir inteligência artificial sobretudo em modo infraestrutura — data centers, energia, cabos. Esta semana apareceu uma peça diferente do puzzle, e é a peça que costuma faltar: um sítio físico onde alguém trabalhe nisto todos os dias.
O que é o Centro AIDE do Técnico?
É o Centro para a Inteligência Artificial e Economia Digital, que vai ficar instalado no edifício do Jardim Sul do polo da Alameda, no Instituto Superior Técnico. O Conselho de Ministros aprovou na quinta-feira uma resolução que autoriza a universidade a lançar a empreitada de reabilitação e construção desse edifício, até um montante máximo de 6.878.710 euros.
Traduzindo o valor: não é um mega-investimento à escala das gigafábricas europeias, é um edifício. Mas é um edifício dedicado, no campus com a maior massa crítica de engenharia do país, e essa diferença conta — investigação em IA precisa de laboratórios, salas de computação e gente sentada ao lado de gente, não de um andar emprestado.
Porque é que isto importa para lá do Técnico?
Porque resolve o lado que o dinheiro sozinho não resolve. Portugal tem conseguido atrair capital para capacidade de computação, mas a conversa recorrente entre empresas e universidades é sempre a mesma: faltam pessoas formadas ao ritmo a que o mercado as consome. Um centro dedicado à IA e à economia digital é, na prática, uma fábrica de mestrados, doutoramentos e projetos com empresas — o tipo de coisa que demora cinco anos a dar frutos e depois fica.
Encaixa também numa sequência: o país tem-se posicionado na corrida europeia da IA, seja na candidatura a uma gigafábrica em Sines, seja no plano para espalhar data centers por novas zonas industriais. Ter a investigação a crescer ao mesmo tempo que a infraestrutura é a única forma de o resultado não ser apenas armazéns com servidores. A resolução está no comunicado do Conselho de Ministros.
Por Oliver Grant
Imagem: Vitor Oliveira from Torres Vedras, PORTUGAL / Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.0)