Portugal quer espalhar data centers pelo país — e prepara seis novas zonas industriais
O Governo quer replicar o modelo de Sines e criar novas zonas industriais para atrair data centers e infraestrutura de IA a todo o país. Onde ficam e o que trazem.
Portugal decidiu que os data centers não podem viver só à volta de Lisboa. O Governo quer semear estas grandes fábricas de servidores por várias regiões do país, e para isso está a preparar terreno — literalmente. A ideia é copiar aquilo que resultou em Sines e levá-lo para o interior.
Onde vão nascer as novas zonas industriais?
O plano passa por criar seis novas áreas de acolhimento empresarial, de dimensão média a grande, com o ministro da Coesão Territorial, Manuel Castro Almeida, a falar em lotes de três a oito quilómetros quadrados — ou seja, entre 300 e 800 hectares cada. São espaços pensados de raiz para receber hyperscalers, infraestrutura de inteligência artificial e outros investimentos pesados que precisam de muito espaço, muita energia e boas ligações. Este esforço encaixa no plano de 400 milhões para a inteligência artificial que o país tem vindo a montar.
Porque é que Sines virou o modelo?
Porque os números falam por si. A zona industrial de Sines, na Costa Vicentina, já atraiu mais de 25 mil milhões de euros em investimento, entre projetos energéticos, industriais e de dados. É esse íman que o Governo quer recriar — e Castro Almeida chegou a apontar sete novos “Sines” de grande escala em preparação pelo país. A aposta é clara: espalhar o investimento em vez de o concentrar num só ponto do mapa.
O que é o Plano Nacional para os Data Centers?
É a moldura que sustenta tudo isto. O Conselho de Ministros aprovou o Plano Nacional para os Centros de Dados e o respetivo Plano de Ação 2026-2027, formalizado em março e publicado em abril. São 15 medidas a executar até 2027, agrupadas em quatro frentes — regulação e governação, energia e infraestrutura, procura de mercado e desenvolvimento territorial —, com objetivos ambientais e de eficiência energética pelo meio. Os detalhes oficiais estão no portal do Governo.
Isto traz empregos?
Traz, e é meio caminho da aposta: novas zonas industriais significam obras, operação e serviços à volta, sobretudo em regiões que há muito pedem investimento. O reverso da moeda é o apetite destas instalações por energia e água, um debate que já anda a aquecer noutros países. Se Portugal conseguir equilibrar as duas coisas, pode ganhar uma fatia de um mercado que só tende a crescer.
Por Oliver Grant
Imagem: Christopher Bowns / Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.0)