As gigafábricas de IA da Europa já têm concurso aberto, e Portugal entra na corrida com Sines
A Comissão Europeia formalizou o concurso para sete gigafábricas de inteligência artificial, com cerca de 30 mil milhões de euros em jogo. Portugal cofinancia e aposta numa candidatura ibérica ancorada em Sines.
Depois de meses de conversa, a Europa passou finalmente ao papel selado. A Comissão Europeia formalizou o concurso para a construção de sete gigafábricas de inteligência artificial no continente, uma operação que se estima mobilizar qualquer coisa como 30 mil milhões de euros. E Portugal não está a ver isto da bancada.
O que é uma gigafábrica de IA?
É a versão europeia do músculo. Falamos de centros de computação de escala industrial, com dezenas de milhares de chips especializados a trabalhar em conjunto, pensados para treinar modelos de inteligência artificial em vez de simplesmente os correr. É a peça que a Europa não tem e sem a qual as suas empresas continuam a alugar capacidade a americanos e chineses. A informação oficial do programa está na estratégia digital da Comissão Europeia.
Como funciona o concurso?
Está dividido em dois lotes, cada um com duas fases, e é cofinanciado por 18 Estados-membros, Portugal incluído. O desenho é deliberadamente faseado: primeiro filtram-se as candidaturas sérias, depois vai-se ao pormenor do dinheiro privado que cada consórcio consegue trazer à mesa. A conta dos 30 mil milhões não é um cheque de Bruxelas, é o investimento total que se espera mobilizar entre fundos públicos e privados.
Onde entra Portugal?
Numa candidatura ibérica feita com Espanha, que prevê a infraestrutura repartida ao meio entre os dois países. Do lado português, a localização escolhida é Sines, o que faz sentido para quem tem seguido o dossiê: é lá que chega o cabo submarino, é lá que há terreno, energia e ligação atlântica. O Governo aprovou em junho uma dotação de 200 milhões de euros para reforçar essa candidatura.
Nada disto aparece do nada. Encaixa no plano de 400 milhões que Portugal montou para a inteligência artificial e na decisão de espalhar novas zonas industriais para data centers pelo país, em vez de concentrar tudo à volta de Lisboa.
Falta a parte difícil, que é ganhar. São sete gigafábricas para um continente inteiro e a fila de candidatos vai ser comprida, com países que chegam com bolsos maiores e ecossistemas mais densos. A vantagem ibérica é a mais aborrecida e a mais decisiva ao mesmo tempo: energia renovável barata e abundante, que é exatamente aquilo de que estas máquinas mais precisam.
Por Oliver Grant
Imagem: Rsparks3 / Wikimedia Commons (CC0)