Bruxelas vê Portugal a crescer menos em 2026 — mas sem travagem brusca
A Comissão Europeia aponta para um crescimento de cerca de 1,7% este ano, ligeiramente abaixo de 2025. O que sustenta a economia e o que a pode tramar.
A Comissão Europeia fez as contas e o retrato da economia portuguesa é o de quem abranda sem cair: o crescimento deverá descer de 1,9% em 2025 para cerca de 1,7% em 2026, com uma ligeira recuperação prevista para 2027. Nada de drama, mas também nada de foguetes.
O que segura a economia
A boa notícia é que o ritmo continua positivo num contexto europeu morno. O consumo das famílias, o turismo e os fundos europeus seguem a empurrar a atividade. Para quem tem um negócio, é um sinal de que a procura não desaparece — só deixa de acelerar.
E o que a pode tramar
O calcanhar de Aquiles está apontado a dedo: a forte dependência do turismo face ao transporte aéreo. Com a incerteza no preço dos combustíveis e no abastecimento de querosene, qualquer abanão nas viagens sente-se depressa numa economia que vive muito de receber gente. Junte-se o crédito mais caro, com a Euribor em máximos, e percebe-se porque é que ninguém em Bruxelas está a abrir o champanhe.
Para o leitor comum, a tradução é simples: emprego e salários relativamente estáveis, mas margem apertada para grandes saltos. É um ano para gerir bem do que para arriscar tudo.
Veja também: o BCE prepara nova subida de juros e o PSI em máximos de 16 anos. As previsões completas estão na Comissão Europeia.
Por Beatriz Mota
Imagem: EmDee / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)