EN
Torre da Nasdaq em Times Square, Nova Iorque
Negócios 11 de julho de 2026

SK Hynix dispara 13% na estreia na Nasdaq após maior IPO estrangeiro de sempre nos EUA

A SK Hynix fechou a subir 13% na estreia na Nasdaq, depois de levantar 26,5 mil milhões de dólares — o maior IPO de uma empresa estrangeira nos EUA.

A fome dos investidores por tudo o que toque em inteligência artificial tem um novo recorde para mostrar. A sul-coreana SK Hynix, fabricante das memórias que alimentam os chips da Nvidia, estreou-se na Nasdaq com uma subida de 13%, para 168,01 dólares, depois de uma operação que levantou 26,5 mil milhões de dólares.

Porque é que esta estreia é histórica?

Porque é o maior IPO de sempre de uma empresa estrangeira nos Estados Unidos, batendo o recorde que a Alibaba detinha desde 2014 (25 mil milhões). A procura foi sete vezes superior à oferta, os recibos de depósito foram colocados a 149 dólares e a empresa passa a negociar sob o símbolo SKHY. Os detalhes da operação estão na página de relações com investidores da SK Hynix.

O que faz a SK Hynix e porque vale tanto?

É a líder mundial em memória de alta largura de banda (HBM), o componente que os aceleradores de IA consomem em quantidades industriais. O presidente do grupo, Chey Tae-won, resumiu o momento sem falsas modéstias: a procura é “enorme” e não há sinais de abrandamento. O dinheiro levantado vai para novas fábricas e equipamento — a corrida à capacidade produtiva é hoje o verdadeiro campo de batalha do setor.

Para quem acompanha os mercados por cá, o sinal é claro: o ciclo da IA continua a puxar pelos semicondutores e pelos índices norte-americanos, um dos fios condutores do nosso acompanhamento diário dos mercados.

Por Beatriz Mota

Imagem: Nielsoncaetanosalmeron / Wikimedia Commons (CC BY 4.0)

Sede da Meta Platforms em Menlo Park, na Califórnia
Negócios 12 de julho de 2026

Meta quer duplicar a capacidade de computação para 14 gigawatts até 2027

Um memorando interno revela que a Meta planeia duplicar a computação para IA até 2027, com investimento recorde e um novo megacentro de dados no Canadá.

A Meta está a preparar a maior expansão de infraestrutura da sua história: segundo um memorando interno divulgado esta semana, a empresa planeia duplicar a capacidade total de computação para 14 gigawatts até 2027, com 7 gigawatts a entrar em funcionamento ainda este ano. Para pôr o número em perspetiva, um gigawatt equivale, grosso modo, à potência de uma central nuclear — e a Meta quer catorze só para treinar e servir modelos de inteligência artificial.

Quanto vai gastar a Meta em 2026?

O investimento deste ano está a correr no topo do intervalo anunciado aos mercados: até 145 mil milhões de dólares. A peça mais visível é o novo centro de dados em Sturgeon County, na província canadiana de Alberta — o primeiro da empresa no Canadá, com um investimento de 13 mil milhões de dólares canadianos (cerca de 9,2 mil milhões de dólares americanos), potência inicial de um gigawatt e capacidade para escalar até 1,8. O memorando revela ainda contratos de longo prazo para memória com a Samsung, armazenamento com a Sandisk e fibra ótica com a Sumitomo — fechados em plena escassez de memória, o que diz muito sobre a pressa.

E os chips, quem os faz?

Cada vez mais a própria Meta. O acelerador de IA desenhado em casa, o Iris, entra em produção na TSMC em setembro, com a Broadcom como parceira de design num acordo prolongado até 2029 — e a empresa quer lançar um chip novo a cada seis meses. É a mesma corrida ao silício que tem animado o setor, da estreia em bolsa da SK Hynix às encomendas gigantes das rivais, e que encaixa num ano em que a empresa também enfrenta pressão regulatória em Bruxelas. Os anúncios oficiais de infraestrutura da empresa estão publicados na sala de imprensa da Meta.

Para os investidores, a questão é a de sempre neste ciclo: quanto deste capital colossal volta como receita — e quando. A resposta, ao ritmo atual, custa 14 gigawatts a descobrir.

Por Beatriz Mota

Imagem: LPS.1 / Wikimedia Commons (CC0)

Sede da Caixa Geral de Depósitos, em Lisboa, ao anoitecer
Negócios 12 de julho de 2026

Emprego na banca em máximos desde a queda do BES: mais 782 postos num ano

O emprego na banca portuguesa atingiu o nível mais alto desde a queda do BES, com 782 postos criados num ano — enquanto os balcões continuam a fechar.

Depois de uma década a encolher, a banca portuguesa voltou a contratar a sério: no último ano, o setor criou 782 postos de trabalho em termos líquidos, elevando o emprego para o nível mais alto desde a queda do BES, em 2014. É uma inversão de ciclo notável num setor que passou anos sinónimo de reestruturações e rescisões.

Porque está a banca a contratar mais?

Não é para os balcões — é para a tecnologia. Os bancos estão a reforçar equipas nas áreas digitais, de dados e de cibersegurança, e a responder ao aumento do próprio negócio bancário, que os juros altos dos últimos anos engordaram. A prova está no contraste: enquanto o emprego subia, o número de agências continuou a cair — fecharam 126 no último ano, para 3.339 no final de 2025, segundo os dados do Banco de Portugal. Menos portas abertas, mais gente atrás dos ecrãs.

Como compara Portugal com a Europa?

Surpreendentemente bem. Em 2025, Portugal foi o quinto país da zona euro onde o emprego bancário mais cresceu — só Alemanha, Espanha, Polónia e Finlândia criaram mais postos. E isto num ano em que o setor perdeu mais de 13 mil empregos no conjunto da zona euro, sobretudo por culpa da banca francesa, que sozinha eliminou perto de 20 mil posições.

Para o mercado de trabalho, é mais um sinal do momento invulgar que a economia atravessa — desemprego abaixo da média europeia e crescimento acima do esperado no arranque do ano. Quem procura emprego qualificado em tecnologia tem agora um recrutador improvável de peso: o banco da esquina — ou o que resta dele. Veja também os setores que melhor pagam em Portugal.

Por Beatriz Mota

Imagem: Jules Verne Times Two / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Navio e gruas no Porto de Leixões, em Matosinhos
Negócios 11 de julho de 2026

Exportações portuguesas crescem 5,1% em maio, mas défice comercial agrava-se no acumulado do ano

As exportações de bens cresceram 5,1% em maio, segundo o INE, e as importações recuaram 1,6%. No acumulado até maio, porém, o défice comercial agravou-se em 1.732 milhões de euros, para 14.383 milhões.

As exportações portuguesas de bens cresceram 5,1% em maio face ao mesmo mês de 2025 — o melhor registo em quase dois anos — enquanto as importações recuaram 1,6%, segundo os dados do comércio internacional divulgados pelo INE. Um mês para emoldurar, portanto. O problema é o filme completo do ano, que conta uma história menos animadora.

O que dizem os números do INE?

No acumulado de janeiro a maio, as exportações caíram 0,2% e as importações subiram 3,5% em termos homólogos. Resultado: o défice da balança comercial de bens agravou-se em 1.732 milhões de euros, para 14.383 milhões. Excluindo os produtos energéticos e material de transporte especial, o retrato de maio fica mais equilibrado — exportações a subir 4,2% e importações 5,1% —, sinal de que a procura interna continua a puxar pelas compras ao exterior. Os quadros completos estão no portal do INE.

Porque cresce o défice comercial se maio foi bom?

Porque um mês forte não apaga quatro meses fracos. O arranque do ano foi penalizado pela travagem do comércio mundial e pela base de comparação exigente de 2025, e as importações — energia, bens de consumo, equipamento — nunca deixaram de crescer. Maio dá esperança de que a maré esteja a virar; para já, o buraco na balança continua a alargar.

A boa notícia é que o tecido empresarial parece ter músculo para aguentar a travessia: os dados do Banco de Portugal mostram que as empresas portuguesas arrancaram 2026 mais rentáveis e com menos pressão financeira. Se as encomendas externas confirmarem o sinal de maio, o segundo semestre pode contar outra história.

Por Beatriz Mota

Imagem: JotaCartas / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)

Barras de ouro
Negócios 11 de julho de 2026

Mercados em acompanhamento: ouro, Fed, petróleo e bolsas

O nosso acompanhamento contínuo dos mercados que mexem com as poupanças em Portugal — ouro, decisões da Fed e do BCE, petróleo e bolsas. Atualizado a cada novidade.

Este é o nosso acompanhamento contínuo dos mercados que mexem com as poupanças em Portugal. Em vez de um artigo novo por cada oscilação, atualizamos esta página sempre que há algo que interessa: ouro, decisões da Reserva Federal e do Banco Central Europeu, petróleo e as principais bolsas. Para o contexto de fundo sobre a economia portuguesa, veja o nosso balanço de meio de ano. Os dados oficiais estão no Banco de Portugal.

Atualizações

11 de julho de 2026

O ouro recuou 0,6% na sexta-feira, para os 4.115 dólares por onça, enquanto o petróleo subiu com a tensão no estreito de Ormuz — o WTI fechou perto dos 72 dólares e o Brent nos 76. Em Wall Street, a semana terminou positiva apesar de uma sexta-feira mista, marcada pela estreia da sul-coreana SK Hynix no Nasdaq, a maior entrada de sempre de uma empresa estrangeira na bolsa americana.

10 de julho de 2026

A semana trouxe duas estreias em bolsa a mexer com o setor dos chips: a sul-coreana SK Hynix, gigante das memórias para IA, estreou-se nos mercados norte-americanos, enquanto a Luxshare, fabricante dos AirPods, teve um arranque morno em Hong Kong, a fechar abaixo do preço de estreia. Sinal dos tempos: o apetite por semicondutores ligados à IA continua, mas já não é cheque em branco.

8 de julho de 2026

O petróleo disparou mais de 6% depois de Donald Trump declarar acabado o cessar-fogo com o Irão, na sequência de ataques a três petroleiros junto ao estreito de Ormuz: o WTI aproximou-se dos 75 dólares e o Brent dos 79, o maior salto diário desde o início de junho. As bolsas americanas caíram, com os futuros do Dow a perderem mais de 500 pontos, e o Tesouro dos EUA revogou a isenção que permitia ao Irão vender petróleo no mercado global. Combustíveis em Portugal devem refletir a subida já na próxima semana.

8 de julho de 2026

O PSI negociou perto dos 9 217 pontos (+0,35% no último fecho), o ouro manteve-se elevado, na zona dos 4 143 dólares por onça, e o euro valia cerca de 1,14 dólares. Bolsas europeias estáveis e metal precioso ainda caro.

7 de julho de 2026

O ouro estabilizou perto dos 4.150 dólares por onça, com os investidores à espera das atas da reunião de junho da Fed e a darem agora cerca de 50% de probabilidade a uma subida de juros em setembro, depois do arrefecimento do emprego nos EUA. Em Wall Street, o Dow segue acima dos 53 mil pontos, e o petróleo alivia com a recuperação do tráfego no estreito de Ormuz e com a OPEP+ a aumentar as quotas de produção para o próximo mês.

6 de julho de 2026

A OPEP+ confirmou novo aumento de produção e o petróleo abriu a semana em queda. O ouro recuou de cerca de 4.200 para perto de 4.143 dólares a onça, numa sessão de correção técnica, e as bolsas asiáticas fecharam maioritariamente no vermelho. Em Wall Street, os futuros regressaram do feriado de 4 de Julho sem direção definida, com o mercado a reavaliar o retorno dos investimentos em IA.

5 de julho de 2026

O ouro voltou a brilhar no arranque de julho: chegou perto dos 4.122 dólares por onça a 2 de julho, uma subida de cerca de 2,25% num só dia. Os bancos centrais, com a China à cabeça, continuam a comprar para diversificar reservas e reduzir a dependência do dólar, e o World Gold Council vê espaço para novas subidas até final do ano. Para quem tem poupanças, o metal segue a fazer de refúgio num semestre marcado por tensão geopolítica.

4 de julho de 2026

Wall Street fechou o primeiro semestre em máximos e arrastou consigo as poupanças europeias. O ouro negoceia perto de mínimos das últimas semanas, à medida que o mercado ajusta as apostas sobre o próximo passo da Fed.

2 de julho de 2026

O ouro recuou para mínimos recentes com a expectativa de juros mais altos por mais tempo. Petróleo estável depois do alívio no Estreito de Ormuz.

30 de junho de 2026

Fecho de mês: o ouro somou o quarto mês consecutivo de queda; as bolsas europeias oscilaram ao sabor das earnings e das pistas dos bancos centrais.

Por Beatriz Mota

Imagem: Stevebidmead / Wikimedia Commons (CC0)

Logótipo da Delta Cafés, do grupo Nabeiro
Negócios 10 de julho de 2026

Delta resgata Mocoffee: 3 milhões para salvar a fábrica de cápsulas da Azambuja

O grupo Nabeiro injeta 3 milhões na Mocoffee, fica acionista único e paga 6 milhões aos credores. O plano prevê perdão de 64% de uma dívida de 23,4 milhões.

A Delta vai ficar com a Mocoffee — e com ela uma fábrica na Azambuja capaz de produzir 350 milhões de cápsulas de café por ano. O plano de recuperação da produtora, que chegou a 2026 à beira da insolvência com 23,4 milhões de euros de dívidas, passa por uma injeção de 3 milhões do grupo Nabeiro, que fica como acionista único.

Quanto recebem os credores da Mocoffee?

Cerca de 36% do que lhes é devido: o plano negociado em processo especial de revitalização (PER) prevê um perdão de 64,4% da dívida, com o grupo de Campo Maior a comprometer-se a pagar seis milhões de euros aos credores comuns de uma só vez. A banca é quem mais corta — BCP e Caixa Geral de Depósitos lideram a lista, com créditos de 2,7 milhões cada — e o Estado também lá está, entre Fisco e Segurança Social.

O que acontece aos trabalhadores da fábrica?

É a parte menos amarga do processo: o plano não prevê despedimentos, reduções de horário nem suspensões de contratos. Para a zona industrial da Azambuja, manter a laborar uma unidade com aquela capacidade instalada é a diferença entre uma má notícia e um susto com final decente — num ano em que, curiosamente, a construção sobe enquanto a criação de empresas recua.

Para a Delta, a conta é simples: por 3 milhões mais 6 de pagamento aos credores, o grupo de Campo Maior garante capacidade própria de produção de cápsulas num mercado que não pára de crescer. Os detalhes societários do grupo estão no site oficial da Delta Cafés. No café, como nos negócios, quem chega ao fundo da chávena é que vê a borra.

Por Beatriz Mota

Imagem: Delta Cafés/Grupo Nabeiro / Wikimedia Commons (domínio público)

Sede do Banco Europeu de Investimento, no Luxemburgo
Negócios 10 de julho de 2026

Campeões Tecnológicos Europeus: Portugal adere a fundo do BEI que quer mobilizar 80 mil milhões

Portugal aderiu à Iniciativa Campeões Tecnológicos Europeus do BEI, que quer angariar 15 mil milhões de euros e mobilizar até 80 mil milhões para 1.500 tecnológicas em expansão.

Portugal vai entrar com dinheiro próprio na nova fase da Iniciativa Campeões Tecnológicos Europeus, a aliança de investimento liderada pelo Banco Europeu de Investimento que quer mobilizar até 80 mil milhões de euros para 1.500 empresas tecnológicas europeias em fase de expansão. O anúncio foi feito esta sexta-feira pelo ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, à margem da reunião do Ecofin, em Bruxelas.

Quanto vai Portugal investir na iniciativa?

Ainda não se sabe — e essa é a parte honesta da resposta. Os 27 Estados-membros acordaram participar, mas a maioria ainda não fechou montantes. No caso português, há uma reunião técnica marcada para a próxima semana entre as equipas do Ministério das Finanças e do BEI, e o valor final será, nas palavras do ministro, proporcional à dimensão de Portugal e às oportunidades do fundo.

O que é a Iniciativa Campeões Tecnológicos Europeus?

É a resposta europeia a um problema antigo: as tecnológicas do continente crescem até certo ponto e depois vão buscar capital aos Estados Unidos — muitas vezes mudando-se de armas e bagagens. A nova fase quer angariar até 15 mil milhões de euros, cerca de quatro vezes mais do que a primeira edição de 2023, e usá-los como alavanca para chegar aos tais 80 mil milhões de investimento total. O Grupo BEI compromete-se com até 1,25 mil milhões, e a novidade é que, além dos megafundos, a iniciativa passa a investir em fundos de crescimento de média dimensão acima dos 300 milhões e cria uma plataforma pan-europeia para facilitar a entrada de investidores privados. A dimensão final fecha no segundo semestre de 2026.

A primeira fase apoiou 15 megafundos e ajudou a criar 12 unicórnios europeus. Para o ecossistema português, que continua a atrair capital — o setor espacial nacional já vale 1,2 mil milhões de euros —, ter o Estado sentado nesta mesa significa acesso mais direto a uma máquina de financiamento pensada exatamente para a fase em que as nossas scale-ups costumam emigrar.

Por Beatriz Mota

Imagem: Caroline Martin / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0 igo)

ISTSat-1, o primeiro satélite universitário português
Negócios 10 de julho de 2026

Setor espacial português vale 1,2 mil milhões de euros — e cada euro gera mais 1,17 na economia

O setor espacial em Portugal contribuiu com 1,2 mil milhões de euros para o PIB entre 2019 e 2024, diz o estudo da Novaspace para a Agência Espacial Portuguesa.

O espaço já é um negócio a sério em Portugal: entre 2019 e 2024, as atividades espaciais contribuíram diretamente com 1,2 mil milhões de euros para o PIB nacional. A conta é do estudo socioeconómico que a Novaspace fez para a Agência Espacial Portuguesa — o retrato mais completo de sempre do setor — e vem com um multiplicador que explica o entusiasmo: por cada euro que o espaço acrescenta diretamente à economia, geram-se mais 1,17 euros nas cadeias de fornecimento e no consumo das famílias.

Quem faz o setor espacial em Portugal?

Mais de 150 entidades ligadas ao espaço, das quais mais de 80 são empresas ativas, concentradas sobretudo em Lisboa, Coimbra e na região do Porto. O tecido é quase todo de pequenas e médias empresas — nenhuma passa dos 200 trabalhadores dedicados ao espaço — e a receita ainda está bastante concentrada: 76% vem de apenas 14 empresas. É um setor jovem, a crescer, mas onde o estudo aponta o financiamento como o principal desafio. O documento completo está disponível no site da Agência Espacial Portuguesa.

Porque importa este estudo agora?

Porque o setor está a acelerar à vista desarmada. Nas últimas semanas, Portugal pôs em órbita novos satélites da constelação Lusíada, batizados com nomes de poetas, e o país tem vindo a reforçar a aposta na Agência Espacial Europeia. O estudo dá números a uma intuição: cada lançamento não é só prestígio — é emprego qualificado, exportações e um efeito de arrasto que se sente bem longe das salas limpas.

Para um país que durante décadas olhou para o espaço como coisa dos outros, 1,2 mil milhões em seis anos é uma forma convincente de mudar de conversa.

Por Beatriz Mota

Imagem: Instituto Superior Técnico (IST), Portugal. / Wikimedia Commons (domínio público)

Cálice de vinho do Porto
Negócios 9 de julho de 2026

Vinhos portugueses: AEP junta compradores de seis mercados europeus no Porto

A terceira edição do Portugal Premium Wines trouxe importadores do Reino Unido, Alemanha, Países Baixos, Bélgica, Irlanda e Escandinávia ao Porto para negociar com 20 produtores nacionais.

Enquanto meio país olhava para os termómetros, no Porto falava-se de exportações a copo cheio. A Associação Empresarial de Portugal (AEP) promoveu até esta quinta-feira a terceira edição do Portugal Premium Wines, uma missão inversa que trouxe importadores de seis mercados europeus estratégicos para negociar diretamente com produtores nacionais.

O que é o Portugal Premium Wines?

É uma iniciativa da AEP que, em vez de levar os produtores lá fora, traz os compradores cá dentro: importadores do Reino Unido, Países Baixos, Bélgica, Irlanda, Alemanha e Escandinávia passaram três dias em contacto direto com 20 produtores portugueses, entre reuniões B2B, provas de vinho e visitas às quintas. O objetivo é gerar novas oportunidades de exportação e reforçar a presença do vinho português nas prateleiras europeias — os detalhes do programa estão no site da AEP.

A aposta faz sentido no momento: o vinho é das poucas categorias em que Portugal compete pelo topo da gama e não pelo preço, e os mercados do norte da Europa — onde o consumo per capita é alto e a curiosidade por castas fora do óbvio também — são exatamente onde as margens vivem.

Porque é que estas missões importam?

Porque encurtam o caminho entre a adega e o contrato. Para um produtor médio, chegar a um importador alemão ou escandinavo por conta própria custa feiras, voos e meses de e-mails; aqui, o comprador já veio predisposto a ouvir. E o contexto ajuda: as empresas portuguesas estão mais rentáveis do que há um ano, e há apetite para investir na internacionalização.

Se as provas correram bem, os resultados ver-se-ão nas estatísticas de exportação dos próximos trimestres. Até lá, fica a imagem que resume a semana: seis mercados à mesa, vinte produtores a servir — e nenhum copo vazio por muito tempo.

Por Beatriz Mota

Imagem: Jon Sullivan / Wikimedia Commons (domínio público)

Gráfico de crescimento económico com linha ascendente
Negócios 9 de julho de 2026

PIB de Portugal cresce 2,2% no segundo trimestre e Católica revê 2026 em alta

A economia portuguesa terá crescido 2,2% em termos homólogos no segundo trimestre de 2026, segundo o NECEP da Católica, que subiu a previsão anual de 1,5% para 1,8%.

A economia portuguesa terá crescido 2,2% em termos homólogos no segundo trimestre de 2026, e a Universidade Católica reviu em alta a previsão para o conjunto do ano — de 1,5% para 1,8%. É a confirmação de que a recuperação ganhou tração depois de uma primeira metade do ano marcada por energia cara e cadeias de distribuição perturbadas.

Quanto cresceu a economia no segundo trimestre?

Segundo o NECEP – Católica Lisbon Forecasting Lab, o PIB terá crescido 0,6% em cadeia (face ao trimestre anterior) e 2,2% em termos homólogos (face ao mesmo período de 2025). É um ritmo sólido para os padrões europeus e mais forte do que a maioria das casas antecipava no início do ano.

Porque é que a Católica subiu a previsão para 2026?

A revisão em alta — de 1,5% para 1,8% — reflete a melhoria generalizada dos indicadores de alta frequência, do consumo ao sentimento económico. O NECEP nota que a fase mais crítica da subida dos preços da energia e das perturbações nas cadeias de distribuição, ligadas à tensão no Médio Oriente, ficou para trás, o que devolveu margem às famílias e às empresas.

Vale a pena olhar para além do titular: nem toda a gente mede o mesmo. O barómetro CIP/ISEG apontava para um crescimento em cadeia mais modesto no mesmo trimestre, sinal de que a estimativa de 2,2% homóloga é otimista dentro do leque de previsões. Os números oficiais do INE são a palavra final — e chegam nas semanas seguintes.

O que esperar para os próximos anos?

As projeções para depois de 2026 mantiveram-se: a Católica continua a apontar para 1,5% em 2027 e 1,9% em 2028. Ou seja, um crescimento estável em torno dos 1,5% a 2%, sem o sobressalto pós-pandemia mas também sem recuo. Para contexto sobre a trajetória do país, veja a nossa perspetiva da economia portuguesa em 2026; os dados de referência, quando saírem, estarão no portal do INE.

Por Beatriz Mota

Imagem ilustrativa · Foto: Aurelijus U. / Pexels

Gruas num estaleiro de construção
Negócios 8 de julho de 2026

Criação de empresas em Portugal recua 4,1% no semestre — mas a construção dispara

Nasceram 27.831 empresas em Portugal no primeiro semestre de 2026, menos 4,1% do que há um ano. A construção cresceu 11% e é, pela primeira vez, o segundo setor que mais empresas cria.

Portugal criou 27.831 novas empresas no primeiro semestre de 2026 — menos 4,1% do que no mesmo período do ano passado. À primeira vista é uma má notícia; vista de perto, é uma fotografia com mais nuance: fecham menos empresas do que antes e há um setor a remar claramente contra a maré.

Que setor está a criar mais empresas em Portugal?

A construção. O setor registou um crescimento de 11% em novas empresas no semestre e alcançou, pela primeira vez, o segundo lugar entre todas as atividades económicas. Não é difícil adivinhar porquê: com a crise da habitação no topo das prioridades políticas e os incentivos fiscais à construção e reabilitação em vigor, há trabalho — e quem o queira fazer monta empresa para isso.

O outro lado do livro-razão também melhorou: encerraram 5.690 empresas até final de junho, uma queda de 18% face a 2025. Menos nascimentos, sim, mas também bastante menos funerais empresariais — o que encaixa num arranque de ano em que a economia portuguesa ganhou tração no primeiro trimestre, com as empresas mais rentáveis e financiamento mais barato.

É preocupante o recuo de 4,1%?

Depende do que se olhar. A quebra na criação de empresas costuma refletir cautela — juros ainda a normalizar, procura externa incerta, eleições e guerra comercial no radar. Mas o saldo líquido (nascimentos menos encerramentos) continua claramente positivo, e a composição importa: mais empresas de construção significa resposta ao maior estrangulamento da economia portuguesa, a falta de casas. Se o país precisava de um sinal de que o mercado leu as prioridades, este serve. Os dados oficiais do tecido empresarial podem ser consultados no portal da Informa D&B.

Por Beatriz Mota

Imagem: Whiteghost.ink / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Frota do Grupo Paulo Duarte
Negócios 8 de julho de 2026

Grupo Paulo Duarte: britânica ICG compra 33,5% e investe até 200 milhões na transportadora de Torres Vedras

O Grupo Paulo Duarte vendeu 33,5% do capital à gestora britânica ICG, que vai investir até 200 milhões de euros para criar um gigante ibérico do transporte de mercadorias.

Uma das transportadoras mais antigas de Portugal acaba de ganhar um sócio de peso. A gestora de ativos britânica ICG, cotada em Londres, comprou 33,5% do Grupo Paulo Duarte e compromete-se a investir até 200 milhões de euros para acelerar o crescimento da empresa de Torres Vedras — com um objetivo declarado: transformá-la num dos maiores operadores de transporte rodoviário de mercadorias da Península Ibérica.

O que muda no Grupo Paulo Duarte?

No dia a dia, pouco — e isso é deliberado. A ICG entra como acionista minoritária e a gestão continua nas mãos dos dois co-CEO da família, Gustavo e António Paulo Duarte. O que muda é a escala da ambição: fundado em 1946, o grupo fatura cerca de 140 milhões de euros por ano e já tinha posição de destaque na logística de combustíveis, químicos e alimentos líquidos; com o novo capital, a fasquia passa a aproximar-se dos 200 milhões no curto prazo. O perfil da compradora está no site oficial da ICG.

Porque é que isto importa para a economia portuguesa?

Porque é mais um sinal de que o capital estrangeiro anda a fazer compras no tecido empresarial português — e desta vez fora do costumeiro trio banca-energia-imobiliário. Uma empresa familiar octogenária do Oeste a atrair uma gestora de Londres encaixa num arranque de ano em que as empresas portuguesas estão mais rentáveis e com menos pressão financeira. Para a região de Torres Vedras, ter um candidato a campeão ibérico com sede no concelho não é má maneira de começar o verão.

Por Beatriz Mota

Imagem: Grupo Paulo Duarte

O Arco da Rua Augusta e a Praça do Comércio, em Lisboa, sede do Ministério das Finanças
Negócios 7 de julho de 2026

Penhoras do Fisco: 641 mil pedidos em 2025 e cobrança coerciva em máximos da década

O Fisco marcou 641.678 penhoras em 2025 (+3%) e recuperou 1.550 milhões de euros em dívidas, um recorde da década. O IVA lidera e as pensões penhoradas subiram 9%.

A máquina de cobrança do Fisco nunca trabalhou tanto. Em 2025, a Autoridade Tributária marcou 641.678 pedidos de penhora por dívidas fiscais, mais 3% do que no ano anterior — e recuperou 1.550 milhões de euros através da cobrança coerciva, o valor mais alto da última década.

Quantas penhoras fez o Fisco em 2025?

Foram mais de 641 mil pedidos de penhora ao longo do ano, a maioria sobre “outros valores e rendimentos” — contas bancárias, créditos e afins. No meio destes números há duas tendências a puxar em sentidos opostos: as penhoras de salários caíram 12%, para 75.620, mas as de pensões dispararam 9%, para 13.221. Ou seja, há menos trabalhadores no ativo a ver o ordenado cativo, mas mais reformados apanhados pela malha.

Que imposto rende mais à cobrança coerciva?

O IVA lidera destacado: 523,6 milhões de euros recuperados coercivamente em 2025, um crescimento de 19% face ao ano anterior. É o retrato de uma economia em que as empresas em aperto deixam o IVA para o fim da fila de pagamentos — e o Estado vai buscá-lo depois, com juros. O desempenho encaixa, aliás, num arranque de ano em que as empresas portuguesas até estão mais rentáveis, o que torna o volume de dívida cobrada à força ainda mais notável.

O que fazer se receber uma notificação de penhora?

O processo executivo não cai do céu: antes da penhora há citações e prazos para reagir, e a dívida pode ser paga em prestações ou contestada. O primeiro passo é consultar a situação no Portal das Finanças e, havendo margem, pedir um plano prestacional antes de a execução avançar — travar o processo cedo é sempre mais barato do que deixá-lo chegar ao salário ou à conta bancária.

Para o Estado, 2025 foi um ano de contas cheias. Para os contribuintes com dívidas atrasadas, foi um lembrete de que a paciência do Fisco tem prazo — e juros.

Por Beatriz Mota

Imagem: Diego Delso / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)

Linha de produção industrial moderna
Negócios 6 de julho de 2026

Estatuto Inovadora COTEC 2026: 1.171 empresas portuguesas distinguidas

A COTEC Portugal atribuiu o Estatuto Inovadora 2026 a 1.171 empresas, com 202 estreias e a indústria transformadora de novo à cabeça das distinções.

Há um clube de empresas inovadoras em Portugal e ele voltou a crescer. A COTEC Portugal distinguiu 1.171 empresas com o Estatuto Inovadora COTEC 2026 — das quais 174 no âmbito do programa Evolution — num ano em que entraram 202 novas empresas para a lista.

O que é o Estatuto Inovadora COTEC?

É um selo atribuído anualmente pela COTEC Portugal, a associação empresarial para a inovação, que reconhece empresas com desempenho relevante em inovação e sustentabilidade. Na prática, funciona como um cartão de visita: facilita o acesso a parceiros, clientes e financiamento, porque sinaliza que a empresa investe a sério em fazer diferente — e melhor. Os detalhes do processo estão no site da COTEC Portugal.

Que setores lideram a inovação em Portugal?

A indústria transformadora voltou a destacar-se como o setor com maior representatividade, tanto nas candidaturas como nas distinções atribuídas. Não é por acaso: é onde a pressão da concorrência internacional mais obriga a inovar para sobreviver. O reforço do peso da inovação encaixa num arranque de ano em que as empresas portuguesas estão mais rentáveis e com menos pressão financeira.

Para quem procura emprego ou parcerias, a lista das distinguidas é um bom mapa de onde as coisas estão a acontecer. Inovar, ao que parece, ainda compensa — e em 2026 são mais 202 empresas a apostar nisso.

Por Beatriz Mota

Imagem ilustrativa · Foto: Pexels

Edifício da Biblioteca e Arquivo do Banco de Portugal, em Lisboa
Negócios 6 de julho de 2026

Empresas portuguesas mais rentáveis no arranque de 2026, diz o Banco de Portugal

A rendibilidade das empresas portuguesas subiu no primeiro trimestre de 2026 e aproxima-se de máximos, com o custo dos financiamentos a cair de 4,8% para 4,3%.

As empresas portuguesas começaram 2026 com as contas mais compostas. A rendibilidade subiu nos primeiros três meses do ano e voltou a aproximar-se dos máximos históricos deste indicador, segundo dados do Banco de Portugal — e, para variar, a fatura dos juros também deu tréguas.

Porque estão as empresas mais rentáveis?

Dois motores explicam a melhoria: resultados que continuam a crescer e financiamento mais barato. O custo dos financiamentos obtidos recuou de 4,8% no primeiro trimestre de 2025 para 4,3% no mesmo período deste ano, aliviando a pressão financeira sobre o tecido empresarial. Ao mesmo tempo, a autonomia financeira reforçou-se, sobretudo porque as empresas têm incorporado os lucros nos capitais próprios em vez de os distribuir.

E o mercado de trabalho acompanha?

Acompanha: a taxa de desemprego fixou-se em 5,8% no arranque de 2026, abaixo dos 6,2% registados um ano antes. O quadro geral encaixa na tendência que já se via na economia portuguesa no primeiro trimestre — crescimento moderado, mas com fundações mais sólidas.

Os dados completos podem ser consultados nas estatísticas do Banco de Portugal. Balanços mais fortes hoje significam mais fôlego para investir amanhã — resta saber se as empresas o vão usar, ou se preferem guardar a almofada para o próximo solavanco.

Por Beatriz Mota

Imagem: GualdimG / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)