Meta quer duplicar a capacidade de computação para 14 gigawatts até 2027
Um memorando interno revela que a Meta planeia duplicar a computação para IA até 2027, com investimento recorde e um novo megacentro de dados no Canadá.
A Meta está a preparar a maior expansão de infraestrutura da sua história: segundo um memorando interno divulgado esta semana, a empresa planeia duplicar a capacidade total de computação para 14 gigawatts até 2027, com 7 gigawatts a entrar em funcionamento ainda este ano. Para pôr o número em perspetiva, um gigawatt equivale, grosso modo, à potência de uma central nuclear — e a Meta quer catorze só para treinar e servir modelos de inteligência artificial.
Quanto vai gastar a Meta em 2026?
O investimento deste ano está a correr no topo do intervalo anunciado aos mercados: até 145 mil milhões de dólares. A peça mais visível é o novo centro de dados em Sturgeon County, na província canadiana de Alberta — o primeiro da empresa no Canadá, com um investimento de 13 mil milhões de dólares canadianos (cerca de 9,2 mil milhões de dólares americanos), potência inicial de um gigawatt e capacidade para escalar até 1,8. O memorando revela ainda contratos de longo prazo para memória com a Samsung, armazenamento com a Sandisk e fibra ótica com a Sumitomo — fechados em plena escassez de memória, o que diz muito sobre a pressa.
E os chips, quem os faz?
Cada vez mais a própria Meta. O acelerador de IA desenhado em casa, o Iris, entra em produção na TSMC em setembro, com a Broadcom como parceira de design num acordo prolongado até 2029 — e a empresa quer lançar um chip novo a cada seis meses. É a mesma corrida ao silício que tem animado o setor, da estreia em bolsa da SK Hynix às encomendas gigantes das rivais, e que encaixa num ano em que a empresa também enfrenta pressão regulatória em Bruxelas. Os anúncios oficiais de infraestrutura da empresa estão publicados na sala de imprensa da Meta.
Para os investidores, a questão é a de sempre neste ciclo: quanto deste capital colossal volta como receita — e quando. A resposta, ao ritmo atual, custa 14 gigawatts a descobrir.
Por Beatriz Mota
Imagem: LPS.1 / Wikimedia Commons (CC0)