Penhoras do Fisco: 641 mil pedidos em 2025 e cobrança coerciva em máximos da década
O Fisco marcou 641.678 penhoras em 2025 (+3%) e recuperou 1.550 milhões de euros em dívidas, um recorde da década. O IVA lidera e as pensões penhoradas subiram 9%.
A máquina de cobrança do Fisco nunca trabalhou tanto. Em 2025, a Autoridade Tributária marcou 641.678 pedidos de penhora por dívidas fiscais, mais 3% do que no ano anterior — e recuperou 1.550 milhões de euros através da cobrança coerciva, o valor mais alto da última década.
Quantas penhoras fez o Fisco em 2025?
Foram mais de 641 mil pedidos de penhora ao longo do ano, a maioria sobre “outros valores e rendimentos” — contas bancárias, créditos e afins. No meio destes números há duas tendências a puxar em sentidos opostos: as penhoras de salários caíram 12%, para 75.620, mas as de pensões dispararam 9%, para 13.221. Ou seja, há menos trabalhadores no ativo a ver o ordenado cativo, mas mais reformados apanhados pela malha.
Que imposto rende mais à cobrança coerciva?
O IVA lidera destacado: 523,6 milhões de euros recuperados coercivamente em 2025, um crescimento de 19% face ao ano anterior. É o retrato de uma economia em que as empresas em aperto deixam o IVA para o fim da fila de pagamentos — e o Estado vai buscá-lo depois, com juros. O desempenho encaixa, aliás, num arranque de ano em que as empresas portuguesas até estão mais rentáveis, o que torna o volume de dívida cobrada à força ainda mais notável.
O que fazer se receber uma notificação de penhora?
O processo executivo não cai do céu: antes da penhora há citações e prazos para reagir, e a dívida pode ser paga em prestações ou contestada. O primeiro passo é consultar a situação no Portal das Finanças e, havendo margem, pedir um plano prestacional antes de a execução avançar — travar o processo cedo é sempre mais barato do que deixá-lo chegar ao salário ou à conta bancária.
Para o Estado, 2025 foi um ano de contas cheias. Para os contribuintes com dívidas atrasadas, foi um lembrete de que a paciência do Fisco tem prazo — e juros.
Por Beatriz Mota
Imagem: Diego Delso / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)