Coyote vs. Acme chegou aos cinemas portugueses quase três anos depois de a Warner o ter cancelado
A Warner Bros. Discovery arquivou o filme já acabado em novembro de 2023 para obter um benefício fiscal. A Ketchup Entertainment comprou os direitos em março de 2025 e a NOS Audiovisuais estreou-o em Portugal a 27 de agosto, com Will Forte, John Cena e Lana Condor.
Há filmes que demoram a chegar por causa de um realizador indeciso ou de um efeito especial que não fica bem. Este demorou por causa de uma folha de Excel.
Coyote vs. Acme estava terminado quando a Warner Bros. Discovery decidiu, em novembro de 2023, não o lançar de todo e inscrevê-lo como perda fiscal. A reação foi imediata e ruidosa, dentro e fora do estúdio. Seguiram-se meses de negociações falhadas com outros distribuidores até a Ketchup Entertainment comprar os direitos mundiais, em março de 2025. Estreou nos cinemas portugueses a 27 de agosto, com distribuição da NOS Audiovisuais.
O Coyote leva a Acme a tribunal
A premissa é boa e resolve, em tom de comédia, uma injustiça de setenta anos de desenhos animados. Depois de décadas a ser atirado de penhascos, esmagado por pedregulhos e traído por foguetes que nunca funcionaram como prometido, Wile E. Coyote decide processar a empresa que lhe vendeu tudo aquilo.
Do lado dele fica Kevin Avery, um advogado de acidentes pessoais interpretado por Will Forte. Do outro lado da sala está Buddy Crane, o advogado corporativo da Acme, com a cara de John Cena. Lana Condor completa o elenco principal. A realização é de Dave Green e o filme mistura imagem real com animação tradicional, o mesmo registo que o Bip Bip e o Coyote sempre habitaram, agora dentro de um tribunal.
Porque é que isto interessa para lá da piada
O caso tornou-se um marco no debate sobre o que acontece a filmes acabados quando valem mais como dedução do que como bilheteira. Um estúdio pode escrever um filme como perda e nunca o mostrar a ninguém; o que a Warner não previu foi o custo reputacional de o fazer com uma marca tão querida como os Looney Tunes.
O desfecho, ao fim de quase três anos, é o menos mau possível: o filme existe, está em salas e é a Ketchup, uma distribuidora independente, que o leva lá. O trailer oficial e a sinopse completa estão no comunicado da NOS Audiovisuais.
Estreou na mesma quinta-feira que o novo filme de Ridley Scott, o que dá uma escolha invulgarmente estranha a quem for ao cinema este fim de semana: ficção científica com estrelas a sério, ou um coiote a processar um fornecedor.
Por Lucy Bennett
Imagem: fotograma do trailer oficial, NOS Audiovisuais / Ketchup Entertainment