Este é o The Last House, o thriller da Netflix que tranca uma família dentro de casa
Wagner Moura e Greta Lee são os pais de uma família de Seattle que, a meio de uma tempestade, deixa de conseguir abrir portas e janelas. Realiza Louis Leterrier, estreou na sexta-feira e a crítica saiu dividida.
A premissa cabe numa linha e é dessas que faz carregar no play: uma família fica fechada dentro da própria casa e ninguém explica porquê. Chama-se The Last House, estreou na Netflix na sexta-feira e é a coisa mais próxima de um filme de ficção científica de câmara que o serviço lançou este ano.
Os Delgado são quatro. Jason, o pai, é um engenheiro sem trabalho que carrega a culpa das dificuldades financeiras da família — é Wagner Moura, e é o registo em que ele costuma ser melhor, contido e com a coisa toda a ferver por baixo. Ann, a mãe, é quem mantém o otimismo, e é Greta Lee, que muita gente descobriu em Vidas Passadas. Depois há o Graham, de doze anos, e a Ruth, de oito, irmãos que discutem como irmãos discutem.
O que acontece, sem estragar nada
Cai uma tempestade inesperada sobre o bairro deles, em Seattle. Quando tentam sair, todas as portas e janelas estão seladas. Não empurradas nem trancadas: seladas, sem explicação. A partir daí o filme é sobre duas coisas ao mesmo tempo — os recursos a acabar dentro de casa e a ameaça que ninguém consegue ver lá fora.
Realiza Louis Leterrier, o mesmo de Now You See Me e da série Lupin, que aqui troca a coreografia por espaço fechado e paciência.
Vale a pena?
Depende da tolerância a filmes que prometem mais do que explicam. A crítica dividiu-se com clareza: há quem elogie o trabalho de Leterrier e as interpretações do casal, lendo o filme como drama psicológico de câmara mais do que como ficção científica, e há quem o considere um exercício que se desfaz quando começa a dar respostas. O consenso possível é este — funciona melhor enquanto a ameaça continua desconhecida.
Se estiver a fazer contas ao mês, o filme entra num agosto cheio na plataforma, que já tinha o fim de Cem Anos de Solidão e a despedida de Outer Banks e recebe a 11 o documentário em três partes sobre José Mourinho.
Por Lucy Bennett
Imagem: Netflix