A Eurovisão mudou três regras para 2027 e a idade mínima subiu para os 18 anos
A UER aprovou alterações ao regulamento do festival: quem vencer pode ficar impedido de organizar a edição seguinte se houver conflito ou risco de segurança, os artistas passam a ter de ter 18 anos à data do primeiro ensaio, e as regras da voz ao vivo foram clarificadas.
A União Europeia de Radiodifusão aprovou alterações ao regulamento da Eurovisão que valem já para a edição de 2027, na Bulgária. São três. A que vai dar mais conversa não tem nada que ver com música.
Vencer deixa de garantir a organização
Até agora a regra era simples ao ponto de ser folclore: quem ganha, recebe o festival no ano seguinte. Deixou de ser automático.
A partir de 2027, o canal vencedor fica impedido de organizar a edição seguinte se houver um conflito armado, uma situação geopolítica sensível ou outro cenário que afete de forma material a segurança e a estabilidade do país ou da região onde se encontra. A UER passa a poder encomendar uma avaliação de segurança independente à região do vencedor, e é essa avaliação que informa o Grupo de Referência antes da decisão final.
Se a resposta for não, o festival vai para outro país. E há aqui uma distinção com peso jurídico: o novo anfitrião organiza o concurso em nome próprio, não em representação de quem venceu. Quem ganhou não fica com um crédito guardado para depois.
O comunicado não nomeia nenhum país. Não precisa.
Dezoito anos, não dezasseis
A idade mínima para competir sobe de 16 para 18 anos, contados à data do primeiro ensaio. A UER enquadra a mudança na proteção de artistas jovens perante a pressão de um concurso que hoje é coisa muito diferente do que era há vinte anos.
Para Portugal, isto tem consequências práticas a montante. Quem escolher a canção que nos representa — como aconteceu quando os Bandidos do Cante levaram o cante alentejano a Viena — terá de contar com esse limite antes de fechar o intérprete.
Ao vivo continua a ser ao vivo
A terceira alteração é uma clarificação, e é a que mais interessa a quem discute a Eurovisão em modo desportivo. O princípio mantém-se: o intérprete principal canta a melodia principal ao vivo. Continuam a existir bases e elementos pré-gravados onde o regulamento os admite, mas não podem substituir a voz nem ajudá-la indevidamente.
Há uma ironia portuguesa à espera de ser assinalada. O país que levou à Eurovisão, em 1981, uma canção inteira sobre a farsa do playback vê agora a UER a escrever preto no branco onde acaba a base e começa a voz.
As três alterações foram aprovadas pelo Grupo de Referência depois de recolhida a reação dos canais participantes à edição de 2026, em Viena.
Por Lucy Bennett
Imagem: MrSilesian / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)