Intercidades Lisboa-Évora feito com comboios regionais: CP admite falta de carruagens
A CP está a substituir composições Intercidades por comboios regionais na ligação Lisboa-Évora por falta de material circulante. O Governo admite limitações e só promete melhorias em 2027.
Quem compra bilhete de Intercidades entre Lisboa e Évora está, em muitos horários, a viajar noutra coisa: a CP anda a substituir as composições habituais por comboios usados nas linhas regionais, por falta de material circulante. Paga-se serviço rápido e confortável, viaja-se em carruagens pensadas para trajetos curtos e com muitas paragens.
Porque está a CP a usar comboios regionais na linha de Évora?
A resposta curta: não há carruagens que cheguem. A frota Intercidades está envelhecida, e a própria CP reconhece que algumas séries de material, pela idade, têm limitações — do conforto ao ar condicionado, um problema sério nas semanas de calor extremo que o país atravessa. Os avisos e alterações de serviço vão sendo publicados na página oficial da CP. Os passageiros do Alentejo já vinham a acumular queixas de atrasos e avarias desde a primavera, e a troca de composições foi a gota de água: nas redes sociais, multiplicam-se relatos de viagens pagas a preço de Intercidades feitas em bancos de Regional.
Quando é que o serviço melhora?
O Governo admitiu as limitações na ligação Lisboa-Évora, justificadas pela reduzida disponibilidade de carruagens, e só antecipa melhor capacidade de resposta em 2027, com a entrada do novo material circulante já encomendado. Até lá, a CP garante que a solução regional é a possível para não suprimir comboios.
Para já, o verão alentejano faz-se assim: mais devagar e com menos conforto, num mês em que os combustíveis também ficaram mais caros — ou seja, nem a alternativa do carro dá tréguas à carteira. Évora, Capital Europeia da Cultura em 2027, que se prepare: o comboio novo e os visitantes devem chegar ao mesmo tempo.
Por Marta Carneiro
Imagem: Giugiaro / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)