Os telemóveis vão estar proibidos até ao 9.º ano, e as escolas têm um período para se habituar
O Governo alarga a proibição dos telemóveis nas escolas a todos os alunos até ao 9.º ano, com entrada em vigor a 1 de janeiro de 2027. Quem abrange, que exceções ficam e o que dizem os diretores.
A regra já existia para os mais novos e agora sobe de escalão. O Governo decidiu alargar a proibição dos telemóveis nas escolas a todos os alunos até ao 9.º ano, através de uma alteração ao Estatuto do Aluno, e teve o cuidado de não atirar isto para cima das escolas de um dia para o outro.
Quando é que a proibição dos telemóveis começa?
A 1 de janeiro de 2027. O primeiro período do próximo ano letivo funciona como rampa de acesso: serve para as escolas montarem o que for preciso, dos cacifos às regras de bolso, antes de a medida passar a valer a sério. Quem quiser perceber a letra pequena vai encontrá-la nas alterações ao Estatuto do Aluno publicadas pelo Ministério da Educação.
Que alunos é que a proibição abrange?
Até agora a obrigação apanhava os alunos do 1.º ao 5.º ano. Passa a abranger toda a escolaridade até ao 9.º, ou seja, o 3.º ciclo inteiro entra na conta. As exceções mantêm-se para situações de saúde devidamente comprovadas, que é o caso típico de quem precisa do telemóvel para monitorizar uma condição clínica.
Porque é que o Governo decidiu alargar?
Por duas razões, e nenhuma delas é palpite. A primeira é a tendência internacional, num ano em que meia Europa apertou o parafuso ao ecrã dos mais novos e em que a França avançou para proibir as redes sociais aos menores de 15 anos. A segunda é um inquérito feito aos diretores escolares, e é aí que os números ficam interessantes.
Nas escolas onde o telemóvel deixou mesmo de entrar, os diretores reportaram uma subida de 36% na socialização face às escolas sem qualquer restrição. Onde a limitação foi apenas parcial, a melhoria ficou-se pelos 16%. A palavra que mais se repete nas respostas é indisciplina, e repete-se para dizer que houve menos.
Há ainda um detalhe que explica por que motivo esta medida não caiu como um raio: no ano letivo passado, 52% das escolas de 3.º ciclo já tinham proibido os smartphones por iniciativa própria, e 82% impunham algum tipo de restrição. Ou seja, o Governo está sobretudo a generalizar uma decisão que a maioria das escolas já tinha tomado sozinha.
O calendário também não é inocente. A mudança apanha um ano letivo que já vinha atribulado, entre a segunda fase dos exames nacionais e as notas que deram dores de cabeça a meio país. Setembro chega com o telemóvel ainda no bolso; janeiro é que traz a fatura.
Imagem: GualdimG / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)