Montenegro diz que a imigração está 'resolvida' — e ouviu falar de 'obsessão' no mesmo dia
No debate do Estado da Nação, Luís Montenegro afirmou que o Governo 'resolveu o problema da imigração'. Um relatório do ISCTE respondeu com 'obsessão'.
Foi a frase mais citada do debate do Estado da Nação: “Este Governo resolveu o problema da imigração em Portugal.” Luís Montenegro disse-a no Parlamento, reivindicando uma “política de regulação” que, nas suas palavras, dignifica a vida de quem chega — e acusando o PS de “esconder” a realidade que o executivo herdou.
O que disse Montenegro sobre a imigração?
O primeiro-ministro apresentou o dossiê como caso arrumado: fronteiras mais controladas, processos regularizados e regras novas para a entrada e permanência no país. No mesmo debate, negou o “caos” nos exames nacionais e defendeu o balanço geral da legislatura, num Parlamento onde as sondagens mais recentes dão folga curta entre os três primeiros partidos e cada frase conta para o próximo ciclo eleitoral.
A resposta chegou antes do fim do dia — e não veio só das bancadas. Um relatório anual do Instituto para as Políticas Públicas e Sociais do ISCTE, coordenado por Pedro Adão e Silva, antigo ministro socialista, classificou a ação governativa nesta área como uma “obsessão com a imigração”. Na oposição, o argumento repetiu-se por outras palavras: para o PS, os portugueses “vivem pior” e o tema serve de cortina; para o Chega, o problema é o contrário — falta de controlo.
Entre a vitória proclamada e a obsessão diagnosticada, há factos que continuam no terreno: a AIMA ainda gere uma fila considerável de processos pendentes e as novas regras — do reagrupamento familiar à nacionalidade — só agora começam a produzir efeitos mensuráveis. Os documentos e comunicados oficiais do executivo estão disponíveis no portal do Governo, e o registo integral do debate fica no site do Parlamento.
“Resolvido” é uma palavra forte em política. Se o dossiê está mesmo fechado, os próximos meses tratarão de o confirmar — ou de o reabrir.
Imagem: Agência Lusa / Wikimedia Commons (CC BY 3.0)