Cabo Verde faz história e só cai frente à Argentina no prolongamento
Na sua estreia absoluta num Mundial, a pequena nação insular levou a campeã Argentina de Messi até ao prolongamento e perdeu por 3-2 com um golo cruel já perto do fim.
Guardem esta data: foi o dia em que um arquipélago de meio milhão de habitantes olhou de igual para igual para a seleção de Lionel Messi e quase a deitou abaixo. Na sua primeiríssima presença num Campeonato do Mundo, Cabo Verde levou a Argentina, campeã em título, até ao prolongamento e só cedeu por 3-2 já perto do fim de duas horas de jogo. Perdeu no marcador, ganhou no coração de meio mundo.
Davi de chinelos contra Golias
Pôr isto em contexto ajuda a perceber a dimensão do feito. Cabo Verde é um dos países mais pequenos a chegar a um Mundial, sem tradição, sem orçamento de gigante, a estrear-se na maior montra do futebol. Do outro lado estava a Argentina de Messi, com o peso de ser favorita e a memória fresca de ter erguido o troféu. No papel, não havia história; no relvado, houve jogo do princípio ao fim.
Os Tubarões Azuis não se limitaram a defender. Marcaram, empataram, obrigaram a Argentina a puxar por tudo. Deroy Duarte assinou um golo de encher o olho e Sidny Cabral fez o 2-2 que pôs o estádio de pé e a Argentina em pânico. No meio de tudo, o guarda-redes Vozinha agigantou-se, negando a Messi golo atrás de golo e transformando-se no rosto desta noite histórica.
O golo que decidiu — e a cabeça erguida
O sonho só se desfez no prolongamento. Messi chegou ao seu 20.º golo em Mundiais e, na segunda parte do tempo extra, um lance infeliz acabou em autogolo de Borges, com a bola a trair Vozinha e a morrer no fundo da baliza. Foi assim, pela margem mais fina e pela via mais cruel, que a Argentina se safou e seguiu para os oitavos, onde vai encontrar o Egito.
Fica a certeza de que Cabo Verde saiu deste Mundial a ganhar. Poucos deram tanto que falar com tão pouco, e o futebol lusófono ganhou uma seleção para respeitar — e para amar.
Veja também: o Egito, próximo adversário da Argentina e o dia de sufoco de Portugal. Ficha do jogo no site da FIFA.
Por Vasco Almada
Imagem: Effathéophile105 / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)