Nuno Borges perdeu na estreia do US Open e sobra Jaime Faria, que apanhou Alcaraz
Borges caiu na primeira ronda do US Open frente a Learner Tien, por 6-4, 6-1 e 6-2, em 99 minutos. Portugal fica com um representante em singulares e o próximo adversário dele é o campeão em título.
Foram 99 minutos e nunca houve grande discussão. Nuno Borges, 41.º do ranking, saiu do US Open logo na primeira ronda, batido pelo norte-americano Learner Tien por 6-4, 6-1 e 6-2, e é a primeira vez em nove presenças em torneios do Grand Slam que o número um português cai à entrada.
O jogo virou cedo. Borges perdeu o serviço no jogo que decidiu o primeiro set e a partir daí ficou sem as armas que o costumam segurar nos ralis: colocou 53% de primeiros serviços e raramente conseguiu abrir o court com a direita. Tien, que chegou a Nova Iorque instalado no top 20, limitou-se a devolver tudo e a esperar.
O resultado tem outra leitura menos confortável. Já se tinham cruzado no Masters 1000 de Paris e no Open da Austrália, e o americano continua a não ceder um único set ao português: o frente a frente entre os dois está agora em 8-0 em parciais.
Em que forma chegava Nuno Borges ao US Open?
É esse o senão. Borges chegou a Flushing Meadows depois da melhor sequência do ano em piso rápido, com seis vitórias entre Montreal e Cincinnati e oitavos de final consecutivos, exatamente o tipo de forma que costuma sustentar uma boa semana num Grand Slam. Não sobrou nada disso no court 17. O maiato de 29 anos, que em julho tinha aberto a relva de Wimbledon por Portugal, sai de Nova Iorque com pontos a defender e sem argumentos para discutir a derrota.
Faria fica sozinho e com o pior sorteio possível
A representação portuguesa em singulares passa a resumir-se a Jaime Faria. O lisboeta de 23 anos venceu no domingo o primeiro encontro da carreira no quadro principal do US Open e o prémio é duro: na segunda ronda encontra Carlos Alcaraz, campeão em título, de regresso ao circuito ao fim de 143 dias parado por causa de uma lesão no pulso.
Um Alcaraz sem ritmo competitivo é a única boa notícia que Faria pode levar para o court, e mesmo essa é frágil: quatro meses e meio parado tiram o timing a qualquer jogador, mas não tiram o pé de apoio a quem já ganhou aqui.
Por Vasco Almada
Imagem: Beyond My Ken / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)