A A8 ganhou 12 pontos de carregamento rápido. Dois deles dão para um camião
A estação da Zunder abriu a 11 de setembro na saída 19 da A8, nas Caldas da Rainha, com potência até 400 kW e cobertura fotovoltaica. A zona desenhada para pesados é a parte nova: em Portugal, um camião elétrico não tinha onde carregar a meio de uma viagem.
Quem conduz um carro elétrico entre Lisboa e o Porto já não pensa muito no assunto. Quem conduz um camião elétrico pensa em pouco mais do que isso, porque até agora não havia, em Portugal, um sítio público onde parar a meio do caminho e voltar a encher a bateria de um veículo pesado.
A estação que a espanhola Zunder abriu a 11 de setembro nas Caldas da Rainha é a primeira a resolver esse problema, ainda que em pequena escala. Fica na saída 19 da A8, junto à zona industrial, e tem 12 pontos de carregamento com potência até 400 kW, todos com conector CCS, e uma área desenhada à medida do transporte pesado. Dois desses doze lugares foram feitos para camiões e autocarros. O investimento rondou o milhão de euros.
O que muda para quem lá para
O sítio foi escolhido pela geografia e não pela cidade: a A8 é um dos corredores que liga a capital ao norte, e uma paragem ali cabe numa viagem sem grande desvio. A cobertura sobre os carregadores é fotovoltaica, o que dá sombra a quem espera e produz energia no próprio local. Paga-se com cartão bancário no terminal, sem aplicação obrigatória. Não há funcionários: a estação funciona sozinha, com videovigilância e iluminação, e só recebe equipas de manutenção.
Vale a pena olhar para o número pelo que ele é. Dois postos não fazem uma rede de carga para mercadorias, fazem o primeiro ponto de uma. A Zunder diz ter mais 15 estações previstas em Portugal até 2027, e o terreno das Caldas foi comprado com espaço para crescer.
Uma frota que anda mais depressa do que a tomada
O desencontro é conhecido. As vendas de veículos ligeiros elétricos dispararam, ao ponto de os elétricos já valerem cerca de um quarto do mercado português, mas a infraestrutura de alta potência fora das grandes cidades continua rala, e para pesados era praticamente inexistente.
Na inauguração esteve a secretária de Estado da Mobilidade, Cristina Pinto Dias, que puxou o tema para o lado do regime jurídico da mobilidade elétrica aprovado em 2025, feito para abrir o mercado a mais operadores, e para a necessidade de levar carregamento para camiões e autocarros de passageiros fora dos centros urbanos. O presidente da câmara, Vítor Marques, ficou-se pelo argumento local: menos burocracia, projetos empresariais concretizados mais depressa.
Falta o resto do corredor. Um camião que saia de Sines ou de Aveiro continua a ter de planear a viagem à volta de duas tomadas nas Caldas da Rainha, e isso não é ainda uma alternativa ao gasóleo. É, pelo menos, o primeiro sítio do país onde a pergunta deixa de ter resposta negativa.
Por Oliver Grant
Imagem: Zunder