Óscar Puente demitiu-se por causa de Urda. Carlos Cuerpo fica com os Transportes até às eleições
O ministro dos Transportes espanhol anunciou a demissão na terça-feira, no Congresso, e saiu também das listas do PSOE para 29 de novembro. Pedro Sánchez entregou a pasta ao primeiro vice-presidente, Carlos Cuerpo, que acumula com a Economia até às legislativas.
O ministro dos Transportes de Espanha, Óscar Puente, demitiu-se. Anunciou-o na terça-feira, na Diputación Permanente do Congresso dos Deputados, ao fim de cerca de quatro horas de perguntas dos outros grupos parlamentares. E não sai só do Governo: abdicou também do lugar nas listas do PSOE para as legislativas antecipadas de 29 de novembro.
Na quarta-feira, numa declaração institucional, Pedro Sánchez anunciou quem fica com a pasta. O escolhido, segundo a nota da Moncloa sobre a comparência de Sánchez, é Carlos Cuerpo, primeiro vice-presidente e ministro da Economia, que acumula os dois ministérios até às eleições. A nomeação será formalizada por real decreto numa edição extraordinária do Boletín Oficial del Estado.
Dois acidentes em menos de um ano
Puente disse ao Congresso que tomou a decisão na semana passada, assim que soube da dimensão do que tinha acontecido em Urda, na província de Toledo. A colisão entre um AVE da Renfe e um comboio da Iryo parado na linha Madrid–Andaluzia, a 28 de outubro, fez 69 mortos, o pior desastre ferroviário espanhol em mais de uma década.
O argumento que apresentou foi político, não técnico. Um ministro dos Transportes, defendeu, não pode continuar no cargo depois de dois acidentes graves em menos de doze meses. O primeiro foi o de Adamuz, na província de Córdoba, em janeiro, com 46 mortos. Nessa altura ficou.
A causa do choque de Urda continua por apurar. A investigação judicial está em segredo de justiça e nada do que se sabe até agora aponta responsabilidades diretas ao ministro.
Agradecimentos de um lado, “teatrinho” do outro
Sánchez agradeceu-lhe o trabalho “sem descanso” e disse que a saída mostra o respeito do Estado pelas vítimas. O líder do PP, Alberto Núñez Feijóo, chamou-lhe um “teatrillo” e acusou o primeiro-ministro de já saber de antemão o que Puente ia anunciar.
Cuerpo é um tecnocrata. Economista de carreira, era até agora o rosto da política económica do Governo. Herda um ministério sob escrutínio máximo, a menos de quatro semanas de uma votação em que a gestão ferroviária vai ser tema de campanha.
Para Portugal, a pasta conta mais do que parece: é o ministério espanhol que trata da alta velocidade Lisboa–Madrid e da ligação Porto–Vigo, dois projetos com calendários que dependem de Madrid.
Imagem: La Moncloa – Gobierno de España / Wikimedia Commons (atribuição)