Os carros elétricos já são um quarto do mercado português e o gasóleo está a desaparecer
No primeiro semestre de 2026 venderam-se mais de 33 mil carros elétricos em Portugal, uma subida de 33,4%. Os 100% elétricos ficaram com 25,3% do mercado e as energias alternativas já valem 74,2% das matrículas.
Quem ainda fala do carro elétrico como uma excentricidade de vizinho está com os números de há três anos. No primeiro semestre de 2026 venderam-se em Portugal mais de 33 mil veículos elétricos, mais 33,4% do que no mesmo período de 2025, e os 100% elétricos fecharam o semestre com 25,3% do mercado. Em junho isolado, foram 28,7% de todas as vendas de ligeiros de passageiros.
O mercado inteiro também cresceu: 157.943 veículos novos no semestre, uma subida de 10,4%, e 30.317 só em junho, mais 15% do que há um ano. Não é um bolo a ser redistribuído — é um bolo maior com uma fatia elétrica que engorda mais depressa que o resto.
Que percentagem do mercado português já é elétrica?
Um quarto, contando apenas os 100% elétricos. Mas a conta que melhor descreve o que está a acontecer é outra: 74,2% de todos os ligeiros de passageiros matriculados no semestre usam energias alternativas, somando híbridos e elétricos. Ou seja, três em cada quatro carros novos que saem de um stand em Portugal já não são um motor a combustão puro.
E o gasóleo?
Em queda histórica, e essa é a parte que muda a paisagem. Durante duas décadas o gasóleo foi a escolha por defeito de quem fazia quilómetros em Portugal, empurrado por impostos mais baixos e por consumos melhores em autoestrada. Está agora a cair para níveis residuais no mercado de novos — o que não significa que desapareça das estradas, porque o parque automóvel português é velho e demora anos a rodar.
O que sustenta a subida é uma combinação de preços de entrada mais baixos, marcas chinesas a entrar com força, e apoios. O incentivo estatal à compra continua a ter um papel, e já explicámos como funcionaram as candidaturas ao incentivo aos carros elétricos. Os dados mensais completos são publicados pela ACAP.
Falta a parte chata: carregadores. Vender 33 mil elétricos num semestre é fácil comparado com pô-los todos a carregar num fim de semana de agosto.
Por Beatriz Mota
Imagem: Resende13 / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)