A Odisseia já enche salas em Portugal — e ninguém se entende sobre o novo Nolan
A Odisseia, de Christopher Nolan, estreou nos cinemas portugueses com sessões IMAX esgotadas e críticas divididas entre obra-prima e desilusão.
A Odisseia chegou finalmente aos cinemas portugueses na quinta-feira e fez aquilo que só um filme de Christopher Nolan consegue fazer em pleno julho: encher salas, esgotar sessões IMAX reservadas há meses e pôr toda a gente a discutir — não sobre se é bom, mas sobre quão bom (ou não) é.
O realizador de Oppenheimer pegou no poema de Homero e transformou-o num épico de três horas com Matt Damon no papel de Ulisses, Anne Hathaway como Penélope e um elenco que parece uma cerimónia de Óscares: Tom Holland, Zendaya, Robert Pattinson, Lupita Nyong’o, Charlize Theron. Filmado em IMAX e com a câmara nova que a marca desenvolveu para Nolan, é o tipo de filme que pede a maior tela que houver no raio de cinquenta quilómetros.
O que dizem as críticas a A Odisseia?
Estão divididas — e é essa a graça. Peter Bradshaw, no Guardian, deu cinco estrelas e leu o filme como uma obra sobre o trauma dos soldados que voltam da guerra. Nos Estados Unidos, há quem já o aponte como favorito ao Óscar de Melhor Filme, com a prestação de Damon descrita como a melhor da carreira. Mas também há quem tenha saído da sala a falar de desilusão, de um Nolan demasiado apaixonado pela própria escala. Entre o “filme do ano” e o “maior falhanço” do realizador, a única coisa consensual é que ninguém ficou indiferente.
A polémica, essa, já vinha de trás: meses de discussão nas redes sociais sobre o rigor histórico do elenco e da Grécia antiga reconstituída — um ruído que já tinha posto o filme no meio da conversa sobre conteúdo gerado por IA muito antes da estreia. Os detalhes das sessões e formatos estão no site oficial da Universal.
Se vale as três horas, cada um decide. Mas convém decidir depressa: os lugares centrais do IMAX já são artigo de colecionador.
Por Lucy Bennett
Imagem: PhilipRomano / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)