A Netflix já usou IA generativa em 300 títulos este ano — e diz que isto está só a começar
Nos resultados do segundo trimestre de 2026, a Netflix revelou que cerca de 300 títulos usaram IA generativa este ano, sobretudo em pós-produção, com receitas de 12,56 mil milhões de dólares, mais 13% do que há um ano.
A Netflix pôs números naquilo que Hollywood discute há dois anos: cerca de 300 títulos da plataforma usaram inteligência artificial generativa este ano, sobretudo em pós-produção. O dado saiu nos resultados do segundo trimestre, apresentados esta quinta-feira, e veio acompanhado de uma expressão que diz tudo sobre as intenções da casa — o uso está a “escalar depressa”.
Onde é que a Netflix está a usar IA generativa?
Principalmente atrás das câmaras: efeitos, retoques e acabamento de imagem. O co-CEO Ted Sarandos deu um exemplo concreto: a série documental The American Experiment tem 17 minutos de imagens melhoradas com IA, produzidas duas vezes mais depressa e a metade do custo dos métodos tradicionais. É o argumento económico na sua forma mais nua — e a razão por que os sindicatos de Hollywood olham para estes números com um pé atrás.
Do lado das contas, o trimestre foi sólido sem deslumbrar: 12,56 mil milhões de dólares de receitas, mais 13% do que há um ano, uma nuance abaixo do que Wall Street esperava, e uma previsão para o terceiro trimestre também tímida face às expectativas. Para o ano inteiro, a empresa aponta agora para 51 a 51,4 mil milhões de receitas, com margem operacional de 31,5% — os documentos oficiais estão no site de relações com investidores.
A IA vai notar-se no que vemos?
Cada vez mais, mesmo que não se veja — a ideia é que a IA acelere o que era caro e lento, não que assine argumentos. Mas a fronteira é escorregadia, como a Netflix bem sabe: na mesma semana em que revelou os 300 títulos, a plataforma digeria o fracasso de Nas Mãos de Dante, prova de que estrelas e orçamento não substituem uma boa história. E o público já mostrou que farética artificial tem limites — bastou ver a receção ao filme-clone da Odisseia gerado por IA.
Trezentos títulos depois, a pergunta já não é se a IA entra na sala de montagem. É se alguém dá por ela — e a Netflix está a apostar milhões em que a resposta seja não.
Por Lucy Bennett
Imagem: Coolcaesar / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)