Bandidos do Cante levaram o Alentejo à Eurovisão com 'Rosa'
O cante alentejano encontrou o pop e foi a Viena representar Portugal. Uma aposta diferente — e muito nossa.
Houve quem torcesse o nariz e quem se arrepiasse. Os Bandidos do Cante representaram Portugal na Eurovisão 2026, em Viena, com o tema “Rosa” — e fizeram-no à maneira deles: pegando no cante alentejano e cruzando-o com pop contemporâneo.
Como chegaram lá
A viagem começou no Festival da Canção, que venceram com 22 pontos — a pontuação máxima do público (12) somada a 10 do júri. Uma vitória que dividiu opiniões e, talvez por isso mesmo, deu que falar durante semanas.
Porque é que isto importa
O cante alentejano é Património Imaterial da Humanidade pela UNESCO: vozes em harmonia, sem instrumentos, nascidas das planícies do sul. Levá-lo a um palco pop como a Eurovisão é uma aposta arriscada — e é exatamente aí que está a graça. Em vez de imitar a fórmula europeia, Portugal foi buscar algo que só nós temos.
O que fica
Independentemente do lugar no placar — a final foi a 16 de maio —, a escolha diz algo sobre o momento da música portuguesa: confiança para misturar raiz e modernidade sem pedir desculpa. “Rosa” não vai agradar a toda a gente, e tudo bem. O que é nosso raramente cabe num molde.
Fica a curiosidade de ver se abre caminho a mais tradição reinventada nos grandes palcos. Se há coisa que o cante ensina, é que uma boa voz não precisa de muito para encher uma planície inteira.
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Imagem: Wikimedia Commons