O que se leva a um Papa? Bob Dylan levou as memórias e saiu do Vaticano com um terço
O Papa Leão XIV recebeu Bob Dylan no Palácio Apostólico na quarta-feira à tarde, numa audiência curta. O músico, de 85 anos, está em Roma em digressão e toca esta quinta-feira no Palazzo dello Sport. Em julho, o Papa tinha citado uma canção dele contra a bomba.
Bob Dylan foi ao Vaticano na quarta-feira à tarde e saiu de lá com um terço oferecido pelo Papa Leão XIV. Em troca, deixou-lhe um exemplar de “Chronicles: Volume One”, a autobiografia que publicou em 2004. O encontro foi confirmado pelo Vatican News, que o descreve como breve, com cumprimentos e algumas trocas bem-dispostas.
Dylan apareceu no Palácio Apostólico como aparece em quase todo o lado: de preto, com o capuz da sweatshirt puxado para a cabeça. Ia acompanhado pelo padre jesuíta Antonio Spadaro, que contou o encontro nas redes sociais.
Uma canção contra a bomba
A visita não caiu do céu. Em julho, Leão XIV citou “Go Away You Bomb” no prefácio de um livro sobre desarmamento publicado pela editora do Vaticano. É uma canção de protesto que Dylan escreveu em 1963 e nunca gravou oficialmente, e cujo manuscrito só apareceu em 2013.
Isso não faz de Dylan um pacifista de cartão. Em 2001 disse que não se considerava um, e defendeu o direito à autodefesa.
Não é o primeiro Papa
Em 1997, tocou em Bolonha perante João Paulo II, no Congresso Eucarístico Nacional, diante de cerca de 300 mil jovens. Cantou três canções, foi cumprimentar o Papa ao palco, e João Paulo II acabou por citar uma das suas letras mais conhecidas no discurso aos jovens.
A relação de Dylan com a fé tem fases. Cresceu numa família judia, aproximou-se do cristianismo no fim dos anos 70 e gravou três discos abertamente religiosos a partir de “Slow Train Coming”, de 1979. Numa entrevista recente disse que é religioso, lê as Escrituras e reza.
Esta noite, em Roma
Aos 85 anos, o Nobel da Literatura de 2016 está em Itália com a digressão “Rough and Rowdy Ways” e toca esta quinta-feira à noite no Palazzo dello Sport, em Roma, antes de Milão e Bolonha. Como em toda a digressão, não se pode filmar com o telemóvel.
Numa semana em que a literatura já deu que falar com o Goncourt entregue a Philippe Jaenada, há um Nobel a oferecer as suas memórias a um Papa.
Por Lucy Bennett
Imagem: Hwn2013 / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)